{"id":403,"date":"2013-10-22T00:09:37","date_gmt":"2013-10-22T03:09:37","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=403"},"modified":"2013-11-05T20:59:29","modified_gmt":"2013-11-05T23:59:29","slug":"pelo-uso-racional-dos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=403","title":{"rendered":"Pelo uso racional dos animais"},"content":{"rendered":"<p>Depois de dois textos muito interessantes sobre o uso de animais em testes de medicamentos ou cosm\u00e9ticos eu pensei muito se valeria a pena mais uma contribui\u00e7\u00e3o ou se efetivamente eu teria algo a contribuir, pois tudo que era necess\u00e1rio se dizer estava nestes textos. <a href=\"http:\/\/easttowestskincare.com\/2012\/01\/09\/esclarecimentos-sobre-os-testes-em-animais-realizados-pela-industria-cosmetica\/\" target=\"_blank\">Um deles menos antigo<\/a>\u00a0e <a href=\"http:\/\/easttowestskincare.com\/2012\/01\/09\/esclarecimentos-sobre-os-testes-em-animais-realizados-pela-industria-cosmetica\/\" target=\"_blank\">outro mais antigo<\/a>\u00a0(at\u00e9 porque, esta discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de hoje). Resolvi tentar.<\/p>\n<p><!--more-->Adianto que vou fazer duas abordagens. Na primeira, uma discuss\u00e3o sobre a \u00e9tica e o uso de animais em si. Na segunda entrarei em aspectos t\u00e9cnicos. Muito provavelmente os mais extremistas sequer chegar\u00e3o \u00e0 segunda parte, mas espero francamente que cheguem. Depois vou tentar retomar o in\u00edcio da discuss\u00e3o. Quero deixar claro, ao final do texto, que se voc\u00ea tem empatia e quer o melhor para os animais, n\u00e3o se preocupe, estamos do mesmo lado.<\/p>\n<p>Se por algum motivo voc\u00ea pensa que cientistas s\u00e3o pessoas s\u00e1dicas, que fazem os animais sofrerem porque gostam, que s\u00e3o psicopatas, nem perca seu tempo lendo o texto. Pessoas que pensam assim n\u00e3o v\u00e3o sequer ter o trabalho de pensar sobre o assunto, e \u00e9 isso que estou propondo aqui.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a invas\u00e3o do Instituto Royal pelas redes sociais tem sido extremamente acalorada. N\u00e3o poderia ser diferente quando se trata de algo passional. E \u00e9 justamente por ser algo passional que dificulta uma discuss\u00e3o racional. Nestes casos muitas vezes deixa-se de lado as evid\u00eancias e os fatos para defender um sentimento. O sentimento em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sentimento ruim. \u00c9 afeto, \u00e9 empatia por um ser vivo que n\u00e3o \u00e9 de nossa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da discuss\u00e3o, antes de eu ficar muito \u201cp da vida\u201d com os \u201cargumentos\u201d utilizados passionalmente pelos defensores extremistas dos direitos dos animais, eu comentei que a quest\u00e3o ligada \u00e0 \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos animais \u00e9 por demais subjetiva. Como estabelecer um limite entre os animais que podemos utilizar e os animais que n\u00e3o podemos? Este limite ser\u00e1 sempre arbitr\u00e1rio. O homem utiliza animais para in\u00fameras fun\u00e7\u00f5es, desde a companhia at\u00e9 para a alimenta\u00e7\u00e3o, trabalho no campo, obten\u00e7\u00e3o direta de produtos animais (l\u00e3, ovos, leite, medicamentos), recrea\u00e7\u00e3o (rodeios, pesque-solte, circo) e para os testes cient\u00edficos diversos. Assim, podemos resumir a discuss\u00e3o em tr\u00eas aspectos: liberar completamente o uso de animais pelos humanos; proibir completamente o uso de animais pelos humanos; limitar o uso de animais pelos humanos. Se procurarmos bem, teremos simpatizantes dos tr\u00eas aspectos. \u00c9 uma fal\u00e1cia simplesmente dizer que devemos buscar o caminho do meio. H\u00e1 bons argumentos de ambos os lados (ou nem tanto). A quest\u00e3o aqui \u00e9 que o caminho do meio n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, por isso \u00e9 outro motivo de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando estou discutindo quest\u00f5es ambientais costumo dizer que \u00e9 necess\u00e1rio que o homem perceba que faz parte da natureza. S\u00f3 assim vai agir com responsabilidade suficiente para diminuir a devasta\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque, ela nos levar\u00e1 \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. Aparentemente, a quest\u00e3o dos que defendem a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria a qualquer custo ambiental \u00e9 o outro extremo desta prote\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel dos direitos dos animais. Come\u00e7o a achar que n\u00e3o. Estou come\u00e7ando a pensar que o discurso deve ser o mesmo. Por qu\u00ea? Por que tais extremistas tamb\u00e9m est\u00e3o colocando o ser humano de lado, como algo separado e independente do restante do mundo natural, a ponto de poder prescindir de intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas long\u00ednquas entre eles. Diferente de dizer que os animais foram criados para nos servir, \u00e9 dizer que somos interdependentes. Diferente de dizer que podemos explor\u00e1-los \u00e9 dizer que podemos utiliz\u00e1-los com responsabilidade at\u00e9 para defende-los de n\u00f3s mesmo.<\/p>\n<p>U\u00e9, mas como assim? Bom, eu trabalho com pesquisas em animais. Peixes, especificamente. Fico extremamente irritado em ter que passar por uma burocracia tremenda para poder realizar meus estudos, enquanto na ind\u00fastria pesqueira os peixes s\u00e3o simplesmente retirados da \u00e1gua e morrem por asfixia, sem comit\u00ea de \u00e9tica e etc. Fico irritado pois sempre trabalhei com respeito e \u00e9tica, mas compreendo a necessidade. Os meus estudos poder\u00e3o servir para a elabora\u00e7\u00e3o de um plano de manejo que tenha mais sucesso na reintrodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em regi\u00f5es antropizadas, entre outras coisas. Assim, v\u00e1rios estudos b\u00e1sicos levam animais ao sacrif\u00edcio por raz\u00f5es diversas que v\u00e3o desde o conhecimento b\u00e1sico sobre a biodiversidade at\u00e9 a descoberta de novos medicamentos. Isso tamb\u00e9m deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o quando se opta pelo aspecto de proibir completamente o uso de animais pelos humanos. Fazer isso \u00e9 dizer que est\u00e1 bom onde estamos, que n\u00e3o precisamos conhecer mais nada, que n\u00e3o precisamos de novos medicamentos obtidos da natureza, e por a\u00ed vai. Bom, mas o que fazer com todo o conhecimento que j\u00e1 foi obtido desta forma? O que fazer com os antibi\u00f3ticos, vacinas e in\u00fameros outros produtos mais que s\u00e3o utilizados pelos humanos h\u00e1 mil\u00eanios \u00e0s custas de vidas de animais? N\u00e3o ter\u00edamos que abdicar disso tudo tamb\u00e9m? Se dissermos que devemos continuar usando para que o sacrif\u00edcio dos animais tenha valido a pena cairemos no mesmo discurso dos que defendem a continuidade. Ver uma crian\u00e7a livre da poliomielite, erradicada gra\u00e7as \u00e0 vacina que foi intensamente testada em animais, n\u00e3o \u00e9 suficiente para dizer que valeu a pena? Tenho duas filhas e tenho absoluta certeza de que sim. Este \u00e9 um dos motivos pelos quais n\u00e3o se consegue n\u00e3o chamar de hip\u00f3crita aqueles que defendem a completa proibi\u00e7\u00e3o de todo o uso de animais. Todos os defensores desta ideia est\u00e3o vivos por causa disso, por que \u00e9 que querem, de repente, que as futuras gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham esta possibilidade? As alega\u00e7\u00f5es de defesa esbarram nas quest\u00f5es t\u00e9cnicas, que vou abordar adiante.<\/p>\n<p>Neste momento come\u00e7amos a vislumbrar as subjetividades da \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao uso de animais quando analisamos o aspecto do meio termo. Dentre aqueles poucos usos que citei, qual deles deveria ser o principal alvo de ativistas contra o uso de animais? Aqui cada um tem uma opini\u00e3o. Alguns podem dizer que devemos come\u00e7ar pela alimenta\u00e7\u00e3o. Outros do uso como animal de carga ou auxiliar de pequenos produtores rurais (afinal, j\u00e1 existem tratores para isso). Outros ainda dir\u00e3o que s\u00e3o os utilizados na ci\u00eancia, incluindo os testes farmacol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m haver\u00e1 aqueles, como eu, que acham que devemos come\u00e7ar com os utilizados \u00fanica e exclusivamente para o prazer humano. E nisso incluo as atividades chamadas esportivas, como o rodeio, pesque-solte, touradas e circo, assim como tamb\u00e9m incluo os animais de companhia. Sim, eu incluo os animais de companhia. Por que n\u00e3o? S\u00e3o criados exclusivamente para nosso bem estar. Algu\u00e9m poderia dizer que eles n\u00e3o sofrem, que s\u00e3o bem cuidados, que gostam. Ser\u00e1 que isso \u00e9 v\u00e1lido para todos? Ent\u00e3o por que \u00e9 que h\u00e1 animais na rua? Ent\u00e3o existem os respons\u00e1veis, que cuidam bem dos animais e por causa deles temos que permitir seu uso?<\/p>\n<p>E quanto ao n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as gen\u00e9ticas trazidas \u00e0 tona pelos excessivos processos de endogamia que culminaram nas diferentes ra\u00e7as de c\u00e3es, por exemplo? A displasia coxo-femural das ra\u00e7as grandes, a obstru\u00e7\u00e3o de canais lacrimais em ra\u00e7as com focinho achatado, a prole reduzida em v\u00e1rias ra\u00e7as devido \u00e0 endogamia. Muitos protetores v\u00e3o replicar afirmando que tamb\u00e9m s\u00e3o contra estes processos e que devemos abrigar os animais de rua. Tamb\u00e9m acho. O problema \u00e9 que o processo de sele\u00e7\u00e3o artificial \u00e9 natural do ser humano. Em pouco tempo ele j\u00e1 ter\u00e1 cruzado novamente aqueles com as caracter\u00edsticas que mais lhe agrada. A \u00fanica forma seria eliminar por completo o uso de animais de companhia. Sem isso n\u00e3o temos o mercado e n\u00e3o temos os animais de rua. Os animais n\u00e3o precisam estar do nosso lado. Eles est\u00e3o por uma necessidade nossa. Por que \u00e9 que \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil aceitar isso se estivermos falando de uma jib\u00f3ia do que se estivermos falando de um c\u00e3o? Por que temos empatia pela express\u00e3o deles, claro. E pela repugn\u00e2ncia que v\u00e1rios outros animais causam na grande maioria das pessoas.<\/p>\n<p>Existe algo mais f\u00fatil e mais f\u00e1cil de ser substitu\u00eddo do que o uso de animais para prazer humano? Na minha opini\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1. Pode substituir este prazer da companhia pelo prazer da companhia de outro ser humano, por exemplo. Por um passeio no parque ou na praia. Por uma bebida moderada. Podemos substituir os rodeios por outros eventos esportivos mais interessantes. Sem exce\u00e7\u00e3o, temos substituto para qualquer dessas atividades. Substitutos j\u00e1 existentes e com alto potencial.<\/p>\n<p>Existe a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o e dos produtos derivados da cria\u00e7\u00e3o dos animais sem necessariamente implicar em sua morte, como l\u00e3, ovos e leite. Alguns implicam na morte, como a seda. A \u00e9tica no uso de animais para alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 complicada. H\u00e1 a quest\u00e3o de certos nutrientes que s\u00e3o obtidos pela origem animal e cujo suplemento seria necess\u00e1rio para uma boa dieta vegana. O problema \u00e9 que ainda haver\u00e1 ou animais ou outros organismos vivos sendo utilizados para se produzir isso. H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e disponibilidade de uma ampla variedade de vegetais para se eliminar o uso de carne e que n\u00e3o \u00e9 dispon\u00edvel fora dos grandes centros. O tema da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 extenso e n\u00e3o \u00e9 neste ponto que eu gostaria de me ater. \u00c9 uma \u00e1rea poss\u00edvel de haver substitui\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o em qualquer lugar e por qualquer pessoa, pois vai depender muito do poder aquisitivo. Deixar de usar roupas de l\u00e3, couro ou seda, entretanto, j\u00e1 \u00e9 bem poss\u00edvel. De qualquer forma, duvido muito que algu\u00e9m cogite a hip\u00f3tese de entrar na casa de algu\u00e9m e roubar a carne do congelador. Ou mesmo das fazendas de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode ter discordado de mim, mas por que a minha opini\u00e3o em um assunto subjetivo vale menos que a sua, que resolveu come\u00e7ar pelo uso de animais em testes cient\u00edficos? Estaria eu correto em invadir sua casa e liberar seus animais de estima\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o presos l\u00e1 dentro? Onde est\u00e1 a \u00e9tica? Algu\u00e9m seria favor\u00e1vel a pegar uma crian\u00e7a na rua, levar para casa, tratar bem mas n\u00e3o deixa-la sair e controlar toda a sua vida?<\/p>\n<p>E se a discuss\u00e3o fosse qual animal? Se utiliza serpentes para extrair o veneno que ser\u00e1 aplicado em cavalos para a produ\u00e7\u00e3o de soro antiof\u00eddico. Se utiliza ratos para boa parte dos experimentos de testes de f\u00e1rmacos. Alguns dir\u00e3o que estes podem, mas que os c\u00e3es n\u00e3o. \u00c9 outro ponto de subjetividade que n\u00e3o se resolve facilmente.<\/p>\n<p>Espero que esta pequena discuss\u00e3o tenha servido pelo menos para que os simpatizantes da a\u00e7\u00e3o no Instituto Royal tenham percebido que as coisas n\u00e3o s\u00e3o bem assim. A \u00e9tica \u00e9 extremamente subjetiva e pass\u00edvel de diferentes solu\u00e7\u00f5es. Nenhuma agradar\u00e1 a todos. Hitler achava que poderia fazer experimentos com humanos desde que n\u00e3o fossem da ra\u00e7a ariana. Falar para utilizar presidi\u00e1rios ou outras pessoas n\u00e3o difere em nada deste pensamento. Quem decidiria isso? A maioria da popula\u00e7\u00e3o? Mas a maioria da popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 apoiou Hitler e quem diz que a maioria estava ou estar\u00e1 certa? Alguns disseram que seriam volunt\u00e1rios no lugar dos pobres animais. Ser\u00e1 mesmo? Ok, ent\u00e3o voc\u00ea olha para seu c\u00e3ozinho, cuja rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica \u00e9 maior do que a empatia que sente por outro ser humano e diz que daria sua vida por ele. Eu daria minha vida pelas minhas filhas, entendo isso. Mas voc\u00ea daria sua vida por um rato? Por um peixe? Por um porco? Por uma galinha? Ademais, existem as quest\u00f5es t\u00e9cnicas pelas quais muito provavelmente voc\u00ea n\u00e3o poderia ser volunt\u00e1rio de teste semelhante.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o uso de animais em testes cient\u00edficos para validar a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia de medicamentos e cosm\u00e9ticos \u00e9 utilizado h\u00e1 muito tempo, mas teve um impulso grande nos anos 50 e 60 ap\u00f3s os problemas com a talidomida. Qualquer um sabe hoje que a talidomida era um medicamento utilizado em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es (e ainda \u00e9). Sem haver estudos adequados, era utilizada por mulheres gr\u00e1vidas. Os resultados foram efeitos teratog\u00eanicos, crian\u00e7as malformadas, cuja causa era obviamente o medicamento. Se a talidomida tivesse sido adequadamente testada muitas mortes poderiam ter sido evitadas.<\/p>\n<p>Por tudo isso que expus at\u00e9 agora \u00e9 que o uso de animais em testes e pesquisas seria um dos \u00faltimos passos que eu daria para eliminar completamente o uso de animais pelos humanos de modo compuls\u00f3rio. De longe \u00e9 uma das a\u00e7\u00f5es fora a alimenta\u00e7\u00e3o cujo sacrif\u00edcio dos animais (quando h\u00e1, como veremos) tem o maior valor e pode ser considerado por uma boa causa. E assim encerro a primeira parte, para tentar explicar as raz\u00f5es t\u00e9cnicas de por que, por mais atraente que seja a ideia de abolir o uso de animais, isso n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>\u00c9 chover no molhado dizer que esta discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, e que muitas a\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram feitas para reduzir, repor e refinar (os tr\u00eas Rs j\u00e1 citados em outros textos) os estudos. A ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, t\u00e3o tripudiada nestas discuss\u00f5es, j\u00e1 n\u00e3o testa os produtos finais diretamente em animais h\u00e1 anos, pelo menos para boa parte dos produtos. Para irrita\u00e7\u00e3o ocular, por exemplo, desde os anos 90 busca-se alternativas, entre elas as que utilizam <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/0278-6915(93)90182-X\" target=\"_blank\">olhos extirpados de animais<\/a> (nos abates utilizados para outros fins, que fique claro) ou ainda abordagens mais complexas, mas que at\u00e9 2009 ainda n\u00e3o puderam ser <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0273230009000634?np=y\" target=\"_blank\">completamente validadas<\/a>. Esta ind\u00fastria tem sim feito muita coisa e investido muito dinheiro na busca por outras metodologias. A documenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 cheia de tentativas. Culturas de c\u00e9lulas in vitro, por exemplo, podem ser utilizadas para <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1467-2494.1992.tb00058.x\/full\" target=\"_blank\">testes de rea\u00e7\u00f5es de irrita\u00e7\u00e3o em peles humanas<\/a>. Em 2007 foi publicado um &#8220;status&#8221; das pesquisas de m\u00e9todos alternativos e, de modo geral, os grandes problemas est\u00e3o na valida\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0887233399000673\" target=\"_blank\">A valida\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 um procedimento necess\u00e1rio, pois \u00e9 preciso mostrar que o teste sem animais \u00e9 t\u00e3o ou mais eficiente que o teste com animais. E a\u00ed muitos m\u00e9todos n\u00e3o v\u00e3o para frente.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pode dizer que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos a substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Basta escolhermos os produtos de uma que afirma n\u00e3o fazer testes com animais. A empresa pode n\u00e3o estar mentindo, pois depois que mistura seus ingredientes e tem o produto pronto ela efetivamente n\u00e3o faz testes. E n\u00e3o faz isso por uma \u00fanica raz\u00e3o: j\u00e1 conhece os resultados dos testes em animais para cada ingrediente. Sabem o que \u00e9 seguro e o que n\u00e3o \u00e9. Simplesmente porque n\u00e3o podem liberar um produto que contenha um ingrediente n\u00e3o testado, tanto por quest\u00f5es legais quanto por quest\u00f5es empresariais. Que empesa iria adicionar um componente sem ter certeza de sua seguran\u00e7a, comprometendo milhares ou milh\u00f5es de pessoas e, mais do que isso, fortunas em indeniza\u00e7\u00e3o? O brasileiro n\u00e3o tem ideia pois n\u00e3o costuma processar uma empresa se o produto dela lhe causou mal, mas nos EUA e Europa isso \u00e9 comum. T\u00e3o comum que, por exemplo, um ferro el\u00e9trico precisa vir com o aviso de que voc\u00ea n\u00e3o pode utiliz\u00e1-lo para passar roupas enquanto as estiver vestindo. Parece idiota, mas isso est\u00e1 l\u00e1 pois algu\u00e9m fez e processou a empresa pois n\u00e3o havia esta explica\u00e7\u00e3o. E ganhou! Ou seja, mesmo que a empresa de cosm\u00e9ticos lhe diga que n\u00e3o testa em animais, isso n\u00e3o significa que n\u00e3o houve testes para os ingredientes da f\u00f3rmula. Quer um exemplo? Uma das empresas que afirmam n\u00e3o testar em animais \u00e9 a Natura. Mas eu deixo claro que poderia pegar qualquer outra do site da PETA (n\u00e3o tenho nada contra a Natura e n\u00e3o estou dizendo que eles mentem, eles est\u00e3o falando s\u00e9rio quando dizem que seus produtos n\u00e3o s\u00e3o testados em animais, mas eles diriam o que se voc\u00ea perguntasse quanto aos ingredientes utilizados?). No sabonete infantil tem um composto, di\u00f3xido de tit\u00e2nio. Pois bem, voc\u00ea pode ver que este produto foi testado em camundongos e ratos em in\u00fameros artigos de pesquisa cient\u00edfica, por exemplo <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0378427406013798\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/jat.1414\/full\" target=\"_blank\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.biomedcentral.com\/content\/pdf\/1743-8977-6-20.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. Tamb\u00e9m pode ver testes de absor\u00e7\u00e3o na pele <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0378427409002707\" target=\"_blank\">neste artigo<\/a>\u00a0em ratos e <a href=\"http:\/\/toxsci.oxfordjournals.org\/content\/115\/1\/156.short\" target=\"_blank\">neste em porcos<\/a>.<\/p>\n<p>Enfim, existe muita pesquisa sobre alternativas, mas se ainda n\u00e3o h\u00e1 resposta para tudo, h\u00e1 uma consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o no uso de animais. A Uni\u00e3o Europeia decretou um prazo para a proibi\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o no mercado de cosm\u00e9ticos que sejam testados em animais. Este prazo \u00e9 2013, com a ressalva de poder se estender caso n\u00e3o haja metodologia validada dispon\u00edvel. Em 2011 <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00204-011-0693-2\" target=\"_blank\">foi publicado um artigo<\/a> que ouviu v\u00e1rios experts em cada \u00e1rea de pesquisa que utiliza animais para testes e eles foram francos em admitir que para sensibiliza\u00e7\u00e3o de pele ainda levaria de 7 a 9 anos para m\u00e9todos alternativos validados. Para toxicocin\u00e9tica (como o organismo lida com o produto) s\u00e3o mais 5 a 7 anos. Para toxicologia sist\u00eamica, dosagem repetida, carcinog\u00eanese e toxicidade reprodutiva n\u00e3o h\u00e1 espectativa.<\/p>\n<p>Oras, mas como assim? N\u00e3o d\u00e1 pra fazer testes in vitro, em cultura de c\u00e9lulas? Para v\u00e1rias coisas d\u00e1 e estes s\u00e3o efetivamente os testes preliminares. Depois de ver um potencial de um produto novo nestas culturas de c\u00e9lulas \u00e9 que se passa para os demais testes. O problema est\u00e1 na complexidade dos organismos vivos. O produto precisa entrar no organismo, seja por absor\u00e7\u00e3o na pele ou por ingest\u00e3o. Precisa ganhar a corrente sangu\u00ednea e com isso alcan\u00e7a n\u00e3o somente o f\u00edgado, mas todo o organismo. \u00c9 preciso saber o que vai acontecer em cada tecido, \u00f3rg\u00e3o. \u00c9 preciso saber o que o f\u00edgado vai fazer com ele e o que vai acontecer com o resultado disso. \u00c9 preciso avaliar a curto e a longo prazo qual vai ser o efeito. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de um tubo de ensaio dizer tudo isso.<\/p>\n<p>Para ter uma no\u00e7\u00e3o de como uma nova droga \u00e9 liberada voc\u00ea pode ler <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3058157\/\" target=\"_blank\">este artigo<\/a>. Vou tentar resumir. Primeiramente acontecem os testes precl\u00ednicos. Depois existem as fases cl\u00ednicas, ou seja, os testes em humanos. Os testes cl\u00ednicos acontecem em geral em 5 ou 6 fases.<\/p>\n<p>Na primeira fase est\u00e3o os testes precl\u00ednicos. Envolvem a descoberta de um princ\u00edpio ativo e o estudo de sua fun\u00e7\u00e3o. Isso pode ser feito em tubo de ensaio, pode ser feito com culturas de c\u00e9lulas. Voc\u00ea certamente j\u00e1 leu not\u00edcias de que os cientistas descobriram uma nova droga que pode ser usada para a cura do c\u00e2ncer. A\u00ed voc\u00ea sai das manchetes sensacionalistas e l\u00ea que os pesquisadores testaram e a droga foi efetiva em c\u00e9lulas tumorais por reduzirem seu crescimento ou por atacarem-nas. Da\u00ed at\u00e9 algo ser liberado para o mercado \u00e9 um processo longo. O passo seguinte \u00e9 descobrir quais as doses que podem ser administradas e se dentro de um organismo a droga n\u00e3o vai causar mais problemas do que solu\u00e7\u00f5es. Ainda estamos nos testes precl\u00ednicos e aqui entram os animais. As normas exigem o teste em pelo menos dois modelos animais, normalmente um mur\u00eddeo (rato ou camundongo) e um can\u00eddeo embora primatas e porcos tamb\u00e9m possam ser utilizados. A escolha do modelo animal depende de que droga se est\u00e1 testando. Se a absor\u00e7\u00e3o \u00e9 intestinal, ent\u00e3o n\u00e3o pode ser um c\u00e3o, pois o intestino de carn\u00edvoro \u00e9 diferente. Ratos n\u00e3o podem ser cobaias para testes de antibi\u00f3ticos pois as altera\u00e7\u00f5es em sua flora intestinal causa efeitos adversos significativos. Ou seja, nada \u00e9 feito \u00e0 toa, sem pensar, de qualquer jeito. S\u00f3 depois do sucesso destes testes \u00e9 que a droga come\u00e7a a ser testada em humanos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que este sistema \u00e9 eficiente? Pois bem, de acordo com os n\u00fameros <a href=\"http:\/\/www.understandinganimalresearch.org.uk\/news\/2013\/01\/nine-out-of-ten-statistics-are-taken-out-of-context\/\" target=\"_blank\">deste artigo<\/a>, com dados de 2007 a 2011, cerca de 36% das drogas falham nestes testes preclinicos. Das que tem sucesso, 94% ir\u00e3o falhar nos testes em humanos. Ora, isso significa que os testes com animais n\u00e3o servem para nada? N\u00e3o \u00e9 bem assim. O autor lembra que em 30 anos de estudos, n\u00e3o houve uma morte sequer na Fase I dos testes cl\u00ednicos no Reino Unido, exceto uma vez em que 6 pessoas tiveram efeitos colaterais severos. Ou seja, o sistema efetivamente funciona, pois aqueles 36% poderiam ter causado s\u00e9rios danos. Por sua vez, 86% dos testes que passaram pela Fase I falharam nas fases subsequentes de testes em humanos. Ningu\u00e9m, nenhum ativista teria coragem de dizer que humanos n\u00e3o s\u00e3o bons modelos para testes, como o autor afirma.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, ent\u00e3o, vem a Fase 0. Ela pode n\u00e3o acontecer e cogita-se que seja uma forma de substituir os animais. Consiste em aplicar microdosagens da droga para se avaliar como ela se comporta no organismo e como o organismo responde \u00e0 ela. O problema \u00e9 que a forma como isso acontece em microdosagens nem sempre reflete o que acontece com doses efetivas. Por isso \u00e9 pouco para substituir animais.<\/p>\n<p>Na Fase I s\u00e3o chamados os volunt\u00e1rios saud\u00e1veis e administradas diferentes fra\u00e7\u00f5es da dosagem que causou problemas nos testes em animais. S\u00e3o avaliadas a resposta que o organismo d\u00e1 \u00e0 droga e o que acontece com ela nos organismos. Primeiro se avalia uma dose \u00fanica e depois m\u00faltiplas doses. Posteriormente se avalia a intera\u00e7\u00e3o da absor\u00e7\u00e3o da droga com a alimenta\u00e7\u00e3o. Vejam bem, foram os testes com animais que permitiram dizer at\u00e9 onde a dosagem em humanos poderia ser testada. Neste momento j\u00e1 existe uma certa seguran\u00e7a. Isto n\u00e3o seria poss\u00edvel sem os animais. Os testes resultariam em uma grande parcela de volunt\u00e1rios com sequelas graves ou \u00f3bitos.<\/p>\n<p>A Fase II serve para determinar se a droga tem alguma fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica nas dosagens seguras. Uma coisa \u00e9 a droga matar c\u00e9lulas cancer\u00edgenas numa placa, outra \u00e9 ela ser absorvida, chegar at\u00e9 os tecidos alvo e ter algum efeito na concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima para minimizar os efeitos colaterais. N\u00e3o vou entrar em detalhes sobre estes testes.<\/p>\n<p>A Fase III utiliza um n\u00famero maior de volunt\u00e1rios e serve para dizer se a nova droga serve para ser utilizada frente ao que se est\u00e1 utilizando para o mesmo tratamento atualmente. Em alguns casos este tratamento segue com estes volunt\u00e1rios, caso a resposta seja positiva, mesmo antes da droga ser liberada comercialmente. Passando por esta etapa, a droga pode ser liberada no mercado.<\/p>\n<p>A Fase IV \u00e9 de acompanhamento a longo prazo. A droga j\u00e1 est\u00e1 no mercado mas os testes continuam at\u00e9 que a total seguran\u00e7a do medicamento seja avaliada, com o acompanhamento de diversos casos de efeitos colaterais e etc. Lembram do caso do Vioxx, que foi retirado do mercado pouco depois do lan\u00e7amento? Absolutamente normal, pois as fases iniciais de testes em humanos envolvem volunt\u00e1rios saud\u00e1veis, lembra?<\/p>\n<p>Pode existir ainda a Fase V, da difus\u00e3o do novo tratamento em sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Bom, agora voc\u00ea j\u00e1 sabe como uma nova droga \u00e9 liberada no mercado, ap\u00f3s cerca de 10 a 15 anos e com milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de d\u00f3lares de investimento. A minha pergunta \u00e9: voc\u00ea realmente acha que a ind\u00fastria farmac\u00eautica manteria os testes com animais se eles fossem in\u00fateis? Por que raz\u00e3o uma empresa manteria um passo custoso e desnecess\u00e1rio em sua cadeia produtiva? Mesmo que fosse barato, se \u00e9 desnecess\u00e1rio est\u00e1 prendendo um produto que poderia estar gerando renda antes ao entrar antes no mercado. A luta por novos lan\u00e7amentos \u00e9 acirrada, n\u00e3o d\u00e1 margem para uma perda de tempo in\u00fatil.\u00a0Se mesmo assim voc\u00ea acha que manter os animais \u00e9 um passo barato que pode ser mantido, vou tentar mostrar que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar n\u00e3o se pode pegar qualquer animal para os testes. Em geral, se utiliza linhagens espec\u00edficas de animais, com a menor varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica poss\u00edvel. Os estudos de gen\u00e9tica j\u00e1 demonstraram que as varia\u00e7\u00f5es interindividuais podem ser cruciais na resposta de medicamentos, dietas e v\u00e1rios outros aspectos. Este \u00e9 um dos motivos pelos quais escrevi acima que um ativista qualquer n\u00e3o pode ser utilizado no lugar do animal. Ele n\u00e3o foi produzido para isso, n\u00e3o foi preparado para isso. Para v\u00e1rias drogas, existem linhagens de camundongos transg\u00eanicas que possibilitam uma gama de respostas que jamais ter\u00edamos com cobaias humanas sem que precis\u00e1ssemos destruir in\u00fameras barreiras morais e \u00e9ticas (como Mengele, por exemplo). Por isso n\u00e3o adianta se voluntariar ou dar a ideia de usar presos [sic] como cobaias. Nem vou entrar no m\u00e9rito desta discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Falam muito que os cientistas maus ficam maltratando e infringindo dor nos animais. Voc\u00eas podem n\u00e3o acreditar, mas existe um c\u00f3digo de \u00e9tica e existe legisla\u00e7\u00e3o para isso. Al\u00e9m das normas internacionais, existe uma legisla\u00e7\u00e3o nacional que impede maus tratos aos animais e exige que o sofrimento seja m\u00ednimo. Nos casos em que se necessita de vivissec\u00e7\u00e3o (abrir o animal ainda vivo, utilizado para avaliar o metabolismo de um \u00f3rg\u00e3o diretamente, por exemplo) ele deve ser sedado e eutanasiado sem despertar. Todos os procedimentos devem ser cuidadosos para evitar o sofrimento. Por sua vez, o sofrimento dos animais durante o processo de avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser permitido, pois o estresse interfere nos resultados. Por conta disso os animais recebem dieta balanceada e climatiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o manipulados por poucas e sempre as mesmas pessoas para evitar estresse. S\u00e3o eutanasiados com m\u00e9todos reconhecidos internacionalmente e diferenciados para cada grupo de esp\u00e9cies. Em geral, s\u00f3 podem participar de um \u00fanico experimento, nos casos em que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a eutan\u00e1sia. Voc\u00ea acha que tudo isso sai barato? Perto do valor total investido possivelmente sim. Mas algum megaempres\u00e1rio iria se contentar gastando mesmo que pouco com algo desnecess\u00e1rio? Se fosse o caso de se substituir por cultura de c\u00e9lulas, isso seria muito mais barato que cuidar de animais. Entretanto, espero ter conseguido explicar que um amontoado de c\u00e9lulas n\u00e3o substitui o metabolismo e a fisiologia de um organismo.<\/p>\n<p>Uma prova de que n\u00e3o h\u00e1 maus tratos s\u00e3o os pr\u00f3prios videos feitos nesta a\u00e7\u00e3o de &#8220;liberta\u00e7\u00e3o&#8221; (eu chamo ainda de furto) dos c\u00e3es do Instituto Royal. Nos v\u00eddeos voc\u00ea percebe animais d\u00f3ceis, com pelagem exuberante e bem alimentados. Muito, mas muito diferente do que se esperaria de animais sofrendo maus tratos. Olhe para os c\u00e3es de rua, por exemplo.<\/p>\n<p>Tudo isso atualmente \u00e9 vigiado por uma comiss\u00e3o de \u00e9tica. Nesta comiss\u00e3o de \u00e9tica, vigiada por \u00f3rg\u00e3o governamental, participam ativistas, bi\u00f3logos, veterin\u00e1rios e demais profissionais independentes, membros da comunidade local. Antes de se iniciar qualquer pesquisa \u00e9 necess\u00e1rio que todo o procedimento seja descrito e avaliado. Se estiver havendo maus tratos em algum destes estabelecimentos (um tiro no p\u00e9 de quem corre contra o rel\u00f3gio para liberar um produto no mercado), cabe a den\u00fancia com provas. Repito: cabe a den\u00fancia com provas.<\/p>\n<p>Enfim, agora que voc\u00ea conseguiu ler at\u00e9 aqui, ainda acha que dentre as op\u00e7\u00f5es para banirmos o uso de animais, os testes de f\u00e1rmacos para combater doen\u00e7as humanas (e animais) \u00e9 uma delas? A primeira? \u00c9 f\u00e1cil falar para arrumar alternativas, mas, voc\u00ea tem alguma? \u00d3timo! Fa\u00e7a os testes e valide-a! Estamos todos esperando por isso. Incluindo a ind\u00fastria farmac\u00eautica, que poder\u00e1 lan\u00e7ar seus produtos mais rapidamente no mercado e com menor custo. Ent\u00e3o, com todos os antibi\u00f3ticos, analg\u00e9sicos, antiinflamat\u00f3rios, medicamentos contra diabetes, hipertens\u00e3o, c\u00e2ncer, AIDS e muito mais presentes no mercado, voc\u00ea realmente acha que a vida dos animais utilizados nos experimentos foi em v\u00e3o?<\/p>\n<p>Me desculpe, mas ainda acho que a vida do c\u00e3o de companhia \u00e9 muito mais em v\u00e3o. Quando muitos s\u00e3o jogados pelas ruas se faz necess\u00e1rio ter esta reflex\u00e3o. Enquanto houver mercado, enquanto houver gente disposta a pagar, vai haver gente jogando animais na rua e isso sim \u00e9 uma maldade. Por isso continuo acreditando que o primeiro passo a ser dado \u00e9 acabar com o uso de animais por prazer do ser humano &#8211; desde o lazer como os rodeios, touradas, pesque-solte, at\u00e9 c\u00e3es e gatos de companhia (imagine outros animais que sequer foram adequadamente domesticados) e aqueles utilizados para obter pele. Disso n\u00e3o precisamos mais. De cura para uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, ainda precisamos. Se um dia esse limite for ultrapassado e conseguirmos prescindir do uso de animais para isso tamb\u00e9m, \u00f3timo!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Adler, S; et al. (2011). Alternative (non-animal) methods for cosmetics testing: current status and future prospects\u20142010. Archives of Toxicology 85(5): 367-485.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1007\/s00204-011-0693-2\">10.1007\/s00204-011-0693-2<\/a><\/p>\n<p>Balls, M; Fentem, JH (1999). The Validation and Acceptance of Alternatives to Animal Testing. Toxicology in Vitro 13: 837-846.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/S0887-2333(99)00067-3\" target=\"_blank\">10.1016\/S0887-2333(99)00067-3<\/a><\/p>\n<p>Chen, J; et al. (2009). In vivo acute toxicity of titanium dioxide nanoparticles to mice after intraperitioneal injection. Journal of Applied Toxicology 29(4): 330-337.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1002\/jat.1414\" target=\"_blank\">10.1002\/jat.1414<\/a><\/p>\n<p>Hughes, JP (2011). Principles of early drug discovery. British Journal of Pharmacology 162(6): 1239\u20131249.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1111\/j.1476-5381.2010.01127.x\">10.1111\/j.1476-5381.2010.01127.x<\/a><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 24px;\">McNamee, P;\u00a0<\/span><em style=\"line-height: 24px;\">et al<\/em><span style=\"line-height: 24px;\">. (2009). A tiered approach to the use of alternatives to animal testing for the safety assessment of cosmetics: Eye irritation. Regulatory Toxicology and Pharmacology 54(2): 197-209.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 24px;\">Ponec, M (1992). In vitro cultured human skin cells as alternatives to animals for skin irritancy screening. International Journal of Cosmetic Science 14(6).\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 24px;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1111\/j.1467-2494.1992.tb00058.x\" target=\"_blank\">10.1111\/j.1467-2494.1992.tb00058.x<\/a><\/p>\n<p>Prinsen, EK; Koeter, HBWM (1993). Justification of the enucleated eye test with eyes of slaughterhouse animals as an alternative to the draize eye irritation test with rabbits. Food and Chemical Toxicology 31(1): 69-76. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/0278-6915(93)90182-X\" target=\"_blank\">10.1016\/0278-6915(93)90182-X<\/a><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 24px;\">Sadrieh, N; et al. (2010). Lack of Significant Dermal Penetration of Titanium Dioxide from Sunscreen Formulations Containing Nano- and Submicron-Size TiO2 Particles. Toxicological Sciences 115(1): 156-166.\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 24px;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1093\/toxsci\/kfq041\" target=\"_blank\">10.1093\/toxsci\/kfq041<\/a><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 24px;\">Shimizu, M; et al. (2009). Maternal exposure to nanoparticulate titanium dioxide during the prenatal period alters gene expression related to brain development in the mouse. Particle and Fibre Toxicology.\u00a0<\/span><a style=\"line-height: 24px;\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1186\/1743-8977-6-20\">10.1186\/1743-8977-6-20<\/a><\/p>\n<p>Wang, J; <em>et al<\/em>. (2007). Acute toxicity and biodistribution of different sized titanium dioxide particles in mice after oral administration. Toxicology Letters 168(2): 176-185. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.toxlet.2006.12.001\" target=\"_blank\">10.1016\/j.toxlet.2006.12.001<\/a><\/p>\n<p>Wu, J; et al. (2009). Toxicity and penetration of TiO2 nanoparticles in hairless mice and porcine skin after subchronic dermal exposure. Toxicology Letters 191(1): 1-8. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.toxlet.2009.05.020\" target=\"_blank\">10.1016\/j.toxlet.2009.05.020<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de dois textos muito interessantes sobre o uso de animais em testes de medicamentos ou cosm\u00e9ticos eu pensei muito se valeria a pena&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[150],"tags":[168,160,159,167,166],"class_list":["post-403","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica-cientifica-ciencia","tag-beagle","tag-cosmeticos","tag-farmacos","tag-instituto-royal","tag-testes-com-animais"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=403"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":434,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/403\/revisions\/434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}