{"id":324,"date":"2013-03-23T13:48:55","date_gmt":"2013-03-23T16:48:55","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=324"},"modified":"2013-03-26T10:30:21","modified_gmt":"2013-03-26T13:30:21","slug":"explorando-cavernas-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=324","title":{"rendered":"Explorando cavernas no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<p>Seguindo com os textos sobre o evento no M\u00e9xico, agora vou comentar um pouco sobre como foram as visitas \u00e0s cavernas. Uma das visitas fazia parte da programa\u00e7\u00e3o e a outra seria um momento p\u00f3s-evento o qual tive a possibilidade de participar. Na realidade, v\u00e1rios grupos de pesquisa aproveitam estes momentos para coletar dados e amostras em campo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Uma das melhores coisas deste evento foi a visita \u00e0 caverna. Na semana anterior \u00e0 viagem, a organiza\u00e7\u00e3o enviou um comunicado sobre o que dever\u00edamos levar e os cuidados a serem tomados. Entre as coisas necess\u00e1rias estavam um capacete, lanternas de cabe\u00e7a e um respirador &#8211; uma m\u00e1scara necess\u00e1ria para filtrar os esporos de fungos causadores de histoplasmose, comum na poeira do guano dos morcegos das cavernas. Pois \u00e9.<\/p>\n<p>Tudo pronto, ent\u00e3o, para a visita. Fomos em um grupo de umas 20 pessoas visitar a caverna Micos ou Rio Subterr\u00e2neo. Leva este nome pois na \u00e9poca das chuvas um pequeno rio desce pela entrada da caverna e some por entre as pedras. Na \u00e9poca seca, agora, formam-se tr\u00eas principais po\u00e7os onde podemos encontrar exemplares do peixe cego. Ali\u00e1s, em todas as tr\u00eas encontramos tanto peixes troglom\u00f3rficos quanto os de fen\u00f3tipo de superf\u00edcie, mas a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 bem desviada para os exemplares troglom\u00f3rficos. S\u00e3o poucos os que conseguem competir com eles. Na pr\u00f3xima postagem vou comentar mais sobre isso.<\/p>\n<p>Pois bem, na primeira po\u00e7a est\u00e3o os realmente troglom\u00f3rficos, cegos e bem despigmentados. Vemos uns poucos exemplares de superf\u00edcie, em geral infectados com doen\u00e7as ou muito magros e pequenos. A press\u00e3o seletiva nesta po\u00e7a \u00e9 extremamente favor\u00e1vel para os troglom\u00f3rficos. Nas demais, h\u00e1 um pouco mais de peixes com fen\u00f3tipo de superf\u00edcie e est\u00e3o melhores, talvez at\u00e9 por ser uma po\u00e7a mais ampla, com mais possibilidades. Esta caverna est\u00e1 sendo estudada agora e trata-se de um excelente modelo para estudo sobre as caracter\u00edsticas adaptativas \u00e0 vida na caverna.<\/p>\n<p>A entrada da caverna \u00e9 razo\u00e1vel, mas \u00e9 uma descida entre pedras. Desci no segundo grupo, junto com nada menos que <a href=\"http:\/\/nssmembersforum.proboards.com\/index.cgi?board=caver&amp;action=display&amp;thread=2436\" target=\"_blank\">William R. Elliott<\/a>, um dos maiores nomes da espeleologia mundial. Ele j\u00e1 est\u00e1 aposentado e esta \u00e9 possivelmente sua \u00faltima entrada em cavernas. Tamb\u00e9m nos acompanhou Lu\u00eds Espinasa (comentei sobre ele em outro texto).<\/p>\n<p>Rio Subterr\u00e2neo n\u00e3o \u00e9 uma caverna ampla, apresentando apenas um ou outro sal\u00e3o mais espa\u00e7oso. Rapidamente se chega at\u00e9 a primeira po\u00e7a sem maiores problemas. Paramos ali e observamos os peixes totalmente troglom\u00f3rficos. Pegamos um para ver mais de perto. Na sequencia h\u00e1 um trecho complicado. Uma subida entre seixos rolantes (Rock and Roll, baby!) em uma passagem estreita. Passa-se apenas um por vez para evitar pedras rolando na cabe\u00e7a do pr\u00f3ximo. Mais alguns metros adiante e um obst\u00e1culo maior. um grande buraco que precisamos descer utilizando uma escada de cordas. Dois espele\u00f3logos experientes nos auxiliaram com cordas. Um acima e outro abaixo. Aqui um agradecimento a eles, St\u00e9phan e Laurent, dois pesquisadores do grupo da Fran\u00e7a. Descendo entramos diretamente na segunda po\u00e7a, muito maior do que a primeira. Andamos dentro da \u00e1gua por alguns metros passando por uma abertura relativamente baixa at\u00e9 alcan\u00e7ar o outro lado. Alguns trecho desta po\u00e7a s\u00e3o mais profundos, mas por onde passamos chegou at\u00e9 a cintura.<\/p>\n<p>Alguns metros andando no lodo de guano, algumas pedras e logo alcan\u00e7amos um grande sal\u00e3o totalmente inundado. Muito maior que os anteriores e mais profundo. Este lago termina no fundo da caverna e parece haver uma passagem que, segundo o Lu\u00eds Espinasa, precisa ter equipamento de mergulho ou ser muito louco para atravessar.<\/p>\n<p>Enfim, foi uma experi\u00eancia sensacional. No outro dia tive a oportunidade de conhecer outra caverna, a Pach\u00f3n, de onde sa\u00edram os primeiros estudos com os <i>Astyanax <\/i>de caverna. Esta tem uma entrada bem dif\u00edcil depois de subir um morro relativamente \u00edngreme. No entanto, se abre para grandes sal\u00f5es lotados de morcegos. No fundo da caverna encontramos o lago onde coletamos alguns exemplares. Ali s\u00f3 existem troglom\u00f3rficos. Coletei v\u00e1rios para que depois o pesquisador William Jeffery fosse retirar amostras para extrair DNA. Ele foi depois, pois estava em outro ponto antes, ent\u00e3o deixamos o balde cheio de peixes para ele dentro da caverna. Desta vez fui com o grupo do prof. Ernesto Maldonado, da UNAM (Universidade Aut\u00f4noma do M\u00e9xico).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fiz um r\u00e1pido experimento para o pesquisador Masato, japon\u00eas que faz p\u00f3s-doutorado no laborat\u00f3rio de William Jeffery. Ele trabalha com a express\u00e3o de genes relacionados com o reconhecimento de vibra\u00e7\u00e3o. Bati com a m\u00e3o na superf\u00edcie da \u00e1gua e filmei a rea\u00e7\u00e3o dos peixes. Haviam poucos no local onde fiz o teste, mas eles prontamente vieram at\u00e9 meus dedos.<\/p>\n<p>E assim foi a parte explorat\u00f3ria do evento. Muita experi\u00eancia, muitos contatos. Agora \u00e9 planejar propostas para conseguirmos verba em editais de coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Assim que chegar ao hotel na Cidade do M\u00e9xico, onde a internet \u00e9 melhor, vou adicionar fotos para ilustrar alguns trechos desta explora\u00e7\u00e3o.*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Achei melhor fazer um Tumblr para colocar fotos com coment\u00e1rios. <a href=\"http:\/\/rpazza.tumblr.com\" target=\"_blank\">Acesse aqui<\/a>\u00a0e siga para receber atualiza\u00e7\u00f5es!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguindo com os textos sobre o evento no M\u00e9xico, agora vou comentar um pouco sobre como foram as visitas \u00e0s cavernas. Uma das visitas fazia parte da programa\u00e7\u00e3o e a outra seria um momento p\u00f3s-evento o qual tive a possibilidade de participar. 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