{"id":2120,"date":"2015-10-20T23:15:30","date_gmt":"2015-10-21T02:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=2120"},"modified":"2015-10-20T22:52:42","modified_gmt":"2015-10-21T01:52:42","slug":"discriminacao-religiosa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=2120","title":{"rendered":"Discrimina\u00e7\u00e3o religiosa no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O ensaio a seguir foi publicado no\u00a0Observat\u00f3rio da Imprensa em 01\/01\/2008. Voc\u00eas j\u00e1 devem ter percebido que a maioria de meus ensaios em divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e3o publicados no OI. Acho o ambiente de l\u00e1 muito interessante e prop\u00edcio para a maioria dos assuntos que j\u00e1 abordei e, al\u00e9m disso, eles publicam o que escrevo.<\/p>\n<p>Neste ensaio eu abordo um outro tipo de assunto\u00a0\u2013 o ate\u00edsmo. O t\u00edtulo parece deslocado, uma vez que ate\u00edsmo n\u00e3o \u00e9 religi\u00e3o. No entanto, \u00e9 onde a discrimina\u00e7\u00e3o contra o ate\u00edsmo se encaixa, uma vez que\u00a0n\u00e3o h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, por exemplo. Al\u00e9m disso, \u00e9 \u00f3bvio que a discrimina\u00e7\u00e3o contra ateus existe por parte de religiosos, o que ainda justifica o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Em suma, ate\u00edsmo \u00e9 outro tema que me interessa e que tem sido debatido neste blog. A ci\u00eancia \u00e9 compat\u00edvel com alguma religi\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel ser evolucionista e acreditar em algum deus? Discutiremos isso em outra oportunidade, por enquanto fique com este ensaio.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>Ultimamente, as revistas semanais brasileiras t\u00eam se rendido a um tema um tanto inquietante: o ate\u00edsmo. A raz\u00e3o disso n\u00e3o seria outra sen\u00e3o a de que esse assunto est\u00e1 rendendo. Livros sobre ate\u00edsmo t\u00eam vendido como nunca antes no Brasil e isso est\u00e1 assustando a \u2018maior na\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do mundo\u2019. A pergunta \u00e9: a imprensa est\u00e1 tratando o assunto de maneira imparcial, como deveria ser seu dever, ou est\u00e1 deixando que o mercado dite o que deve ser escrito a respeito desta onda c\u00e9tica?<\/p>\n<p>Pois bem, o que \u00e9 o ate\u00edsmo e quais seriam os atributos que lhe implicam uma periculosidade t\u00e3o grande a ponto de ser veementemente combatido pela maior autoridade religiosa cat\u00f3lica, o papa Bento 16, em sua recente enc\u00edclica? Esquecendo-se de r\u00f3tulos mais pormenorizados (e por vezes desnecess\u00e1rios), os c\u00e9ticos quanto a deuses se dividem em dois grupos \u2013 os agn\u00f3sticos, que preferem n\u00e3o tomar partido de cren\u00e7a ou descren\u00e7a, uma vez que n\u00e3o se pode provar que Deus existe ou n\u00e3o; e os ateus \u2013 que n\u00e3o acreditam na exist\u00eancia de deuses, pelo menos em nenhum dos que a humanidade j\u00e1 cultuou algum dia. Ate\u00edsmo nada mais \u00e9 do que n\u00e3o crer em deuses. Em nenhum deles. Se fiz\u00e9ssemos uma pesquisa nacional para saber se os brasileiros acreditam que Zeus, Os\u00edris, Thor, Tup\u00e3, Inanna, Bastet, entre outros, existam, possivelmente ter\u00edamos um elevado n\u00famero de descrentes.<\/p>\n<p>Para a imensa maioria dos brasileiros, apenas o deus crist\u00e3o existe (notem que escrevo a palavra deus em letra mai\u00fascula apenas quando me refiro ao nome pr\u00f3prio do deus crist\u00e3o, que embora alguns chamem de Jeov\u00e1, muitos preferem chamar apenas de Deus). Ou seja, todos s\u00e3o c\u00e9ticos para a imensa maioria dos deuses j\u00e1 cultuados pela humanidade. Os ateus s\u00e3o c\u00e9ticos para um deus a mais. Arrisco a dizer que muitos brasileiros n\u00e3o conseguiriam citar dez deuses que o homem j\u00e1 cultuou e ficariam impressionados em saber que eles passam dos milhares.<\/p>\n<p><strong>Sensacionalismo e balb\u00fardia<\/strong><\/p>\n<p>A cren\u00e7a em deuses parecer ser imanente \u00e0 sociedade humana. O fil\u00f3sofo David Hume descreve a hist\u00f3ria natural das cren\u00e7as humanas \u2013 desde as religi\u00f5es animistas at\u00e9 as religi\u00f5es polite\u00edstas, culminando nas religi\u00f5es monote\u00edstas \u2013 destacando as necessidades humanas que levam a tal caminho. \u00c9 f\u00e1cil perceber que as religi\u00f5es animistas e mais primitivas cultuavam fen\u00f4menos da natureza como sendo deuses. Os fen\u00f4menos da natureza est\u00e3o sendo cada vez mais explicados pela ci\u00eancia, de modo que sabemos que o deus n\u00f3rdico do trov\u00e3o, Thor, por exemplo, n\u00e3o pode existir, pois o trov\u00e3o n\u00e3o passa de som. O Sol, do qual qualquer civiliza\u00e7\u00e3o depende, j\u00e1 foi cultuado como deus em v\u00e1rias culturas, como entre os \u00edndios brasileiros (Tup\u00e3), entre os eg\u00edpcios (Amon-R\u00e1), entre os incas (Inti), entre outros.<\/p>\n<p>Embora o sol tenha grande influ\u00eancia em toda a vida na Terra, as rea\u00e7\u00f5es nucleares que acontecem em seu interior est\u00e3o longe de ter os atributos divinos mais caros. Recentemente, os cientistas publicaram uma pesquisa que indica que o ser humano \u00e9 propenso a crer. Provavelmente esta propens\u00e3o a crer pode ter auxiliado, nos prim\u00f3rdios do florescimento humano, auxiliando na autoconfian\u00e7a necess\u00e1ria para grandes empreendimentos. O zo\u00f3logo Desmond Morris comenta, no livro <i>O Macaco Nu<\/i>, que a necessidade de uma figura de macho-alfa, perdida com a evolu\u00e7\u00e3o humana, tenha culminado na cria\u00e7\u00e3o dos primeiros deuses personificados.<\/p>\n<p>As mat\u00e9rias veiculadas nas principais revistas e jornais brasileiros tentam explicar porque livros como <i>Deus, um del\u00edrio<\/i> (Richard Dawkins), <i>Deus n\u00e3o \u00e9 grande<\/i> (Christopher Hitchens) e <i>Carta a uma na\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/i> (Sam Harris) t\u00eam alcan\u00e7ado uma vendagem t\u00e3o grande (mais de 35 mil c\u00f3pias para o primeiro). A primeira coisa que precisamos nos perguntar \u00e9 sobre o sensacionalismo por tr\u00e1s da balb\u00fardia destes n\u00fameros, quando livros de auto-ajuda alcan\u00e7am facilmente as 100 mil c\u00f3pias vendidas, muitas vezes antes do lan\u00e7amento, como foi o caso de <i>O segredo<\/i> (Rhonda Byrne).<\/p>\n<p><strong>Os ateus e o poder clerical<\/strong><\/p>\n<p>Assumindo que o n\u00famero de ateus do Brasil esteja de acordo com os dados das pesquisas recentes, ou seja, por volta dos 2%, ter\u00edamos em torno de 3,6 milh\u00f5es de ateus. Imaginando que apenas ateus estejam comprando os livros, dilu\u00edmos os 35 mil exemplares vendidos entre cerca de 1% dos ateus do Brasil. Agora este n\u00famero n\u00e3o parece mais t\u00e3o grandioso. Por outro lado, o fato de que com as 35 mil c\u00f3pias vendidas, <i>Deus, um del\u00edrio<\/i> esteja entre os cinco livros mais vendidos da editora torna o fen\u00f4meno mais relevante. Outro assunto para se discutir futuramente, portanto, \u00e9: por que o brasileiro l\u00ea t\u00e3o pouco? Os pre\u00e7os dos livros provavelmente est\u00e3o no topo da lista de explica\u00e7\u00f5es, mas a falta de incentivo \u00e0 leitura e sobrecarga de trabalho da maioria da popula\u00e7\u00e3o certamente n\u00e3o perdem (como faltam dados que comprovem esta hip\u00f3tese, al\u00e9m da fuga do tema, esta discuss\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 levada adiante neste momento).<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o tema est\u00e1 rendendo mat\u00e9rias. V\u00e1rias s\u00e3o as entrevistas com religiosos que argumentam que o homem precisa de religi\u00e3o para ter valores morais. De um modo geral o contraponto \u00e9 apresentado: o senso de moral parece ser imanente ao ser humano, pois aparece em outros primatas, como os chimpanz\u00e9s. Pesquisas recentes demonstram que recompensar a bondade com confian\u00e7a est\u00e1 intr\u00ednseco em nossa biologia, uma vez que beb\u00eas muito novos j\u00e1 apresentam esta disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo alem\u00e3o Feuerbach, por sua vez, afirma que \u2018quando a moral se baseia na teologia, quando o direito depende da autoridade divina, as coisas mais imorais e injustas podem ser justificadas e impostas\u2019. E assim aconteceu em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria da humanidade, como nas Cruzadas, na Inquisi\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao fundamentalismo atual, independente de r\u00f3tulo. Em geral, baseados e cal\u00e7ados na interpreta\u00e7\u00e3o de seus livros sagrados, muitos povos entram em guerra, imp\u00f5em sua cultura sobre outras de forma violenta, mutilam e matam. Religiosos contra-argumentam citando os regimes comunistas, como se tais ditadores estivessem deliberadamente agindo em nome do ate\u00edsmo, o que jamais foi verificado. Na verdade, tais regimes s\u00e3o alheios a qualquer forma de poder que possa confrontar o seu, incluindo o religioso, por isso a institui\u00e7\u00e3o do ate\u00edsmo como uma forma de coibir o poder clerical.<\/p>\n<p><strong>Debate civilizado existiu<\/strong><\/p>\n<p>A falta de conhecimento do que \u00e9 o ate\u00edsmo contribui para a desconfian\u00e7a da imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o. E, neste sentido, as revistas n\u00e3o t\u00eam contribu\u00eddo para esclarecer o assunto. \u00c0s vezes, infelizmente, isso acontece em decorr\u00eancia de pequenos erros por parte dos pr\u00f3prios c\u00e9ticos. Por exemplo, em uma das mat\u00e9rias da revista <i>CartaCapital<\/i>, o agn\u00f3stico Renato Sabbatini afirma que \u2018o ateu ainda tem alguma f\u00e9, pois acredita que Deus n\u00e3o existe\u2019. O argumento est\u00e1 errado, pois ser ateu \u00e9 n\u00e3o acreditar na exist\u00eancia de deuses, o que \u00e9 diferente de ter f\u00e9 que Deus n\u00e3o existe. A diferen\u00e7a \u00e9 sutil, mas crucial, como se pode perceber na \u00faltima frase da mat\u00e9ria de Phydia de Athayde, que afirma que \u2018mesmo quando o assunto \u00e9 negar ou se abster de Deus, tudo \u00e9 quest\u00e3o de f\u00e9\u2019.<\/p>\n<p>A segunda mat\u00e9ria da revista (por Antonio Luiz M. C. Costa), por sua vez, critica os autores dos livros recentes por estarem repetindo de modo pobre uma discuss\u00e3o que j\u00e1 aconteceu no s\u00e9culo 19, causando impacto \u2018sem acrescentar nada fundamentalmente novo \u00e0 pol\u00eamica \u2013 e sem parecer ter mais que um conhecimento superficial da produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica\u2019 do per\u00edodo iluminista.<\/p>\n<p>Uma vez que o pr\u00f3prio autor afirma que em <i>A gaia ci\u00eancia<\/i>, de 1882, Nietzsche afirmou que \u2018Deus est\u00e1 morto\u2019, constatando a necessidade da reconsidera\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o moral, e de l\u00e1 para c\u00e1 nada mudou, as tentativas atuais tornam-se de grande valia. Se mesmo ap\u00f3s a desconstru\u00e7\u00e3o do argumento teleol\u00f3gico por David Hume, no s\u00e9culo 18, ainda florescem ideologias como a do Desenho Inteligente, por que devemos nos acomodar tendo a falsa ilus\u00e3o de que tudo est\u00e1 resolvido? Mesmo que n\u00e3o haja novos argumentos (embora a ci\u00eancia, em muitas ocasi\u00f5es, demonstre que h\u00e1), n\u00e3o \u00e9 de todo ruim repetir de formas diferentes para que mais pessoas possam compreender. Uma quest\u00e3o de did\u00e1tica, at\u00e9 porque a grande massa jamais leu Diderot ou Voltaire e sequer imagina que j\u00e1 existiu debate civilizado entre religiosos e descrentes.<\/p>\n<p><strong>Crucifixo na parede<\/strong><\/p>\n<p>Por sua vez, a revista <i>Veja<\/i> tamb\u00e9m exibiu mat\u00e9ria de capa sobre o assunto na edi\u00e7\u00e3o do dia 26 de dezembro. A manchete: \u2018A f\u00e9 no terceiro mil\u00eanio \u2013 a resist\u00eancia da religiosidade em um mundo marcado pela descren\u00e7a\u2019. Esta manchete \u00e9 no m\u00ednimo estranha. Na pr\u00f3pria mat\u00e9ria constam os dados do IBGE em que se pode constatar que apenas 7,3% da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem religi\u00e3o, o que tamb\u00e9m n\u00e3o significa que sejam ateus. Ou seja, a religiosidade segue muito bem, obrigado. A mat\u00e9ria de Andr\u00e9 Petry ainda demonstra que o problema \u00e9 exatamente o oposto, ou seja, como os descrentes sobrevivem em um mundo religioso? O fato de uma pesquisa demonstrar que apenas 13% da popula\u00e7\u00e3o votaria em um ateu e que 59% n\u00e3o votaria em ateu em circunst\u00e2ncia alguma, comprova o tamanho da discrimina\u00e7\u00e3o religiosa dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u00c9 muito prov\u00e1vel que tal discrimina\u00e7\u00e3o esteja relacionada com as falsas concep\u00e7\u00f5es sobre o ate\u00edsmo, coisa que pouco se fez para sanar nas mat\u00e9rias veiculadas. A mat\u00e9ria de Phydia de Athayde, na revista <i>CartaCapital<\/i>, pelo menos exp\u00f4s algumas id\u00e9ias de alguns ateus\/agn\u00f3sticos do Brasil que ressaltaram n\u00e3o haver um grupo forte organizado para lutar por seus direitos. No entanto, ainda falta espa\u00e7o para um bom esclarecimento e para movimento de conscientiza\u00e7\u00e3o contra o preconceito.<\/p>\n<p>\u00c9 constrangedor, por exemplo, que C\u00e2maras Municipais tenham crucifixos pregados nas paredes e iniciem suas sess\u00f5es com ora\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas, como presenciei recentemente. Tais membros do poder legislativo ferem o que seus companheiros de fun\u00e7\u00e3o ilustremente afirmaram em nossa Carta Magna, datada de 1988 \u2013 o Brasil \u00e9 um pa\u00eds laico, e todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 conden\u00e1vel. Tais ritos j\u00e1 deveriam ter sido banidos h\u00e1 muito tempo, assim como qualquer apelo religioso em tribunais (comuns quando o r\u00e9u afirma, apontando para o crucifixo pregado na parede, que \u2018aquele que est\u00e1 l\u00e1 sabe que sou inocente\u2019), al\u00e9m da famosa pergunta: \u2018Jura dizer a verdade em nome de Deus?\u2019<\/p>\n<p><strong>Um direito a ser assegurado<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, se todos s\u00e3o inocentes at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio, obrigar um juramento \u00e9 admitir <i>a priori<\/i> que a pessoa n\u00e3o iria dizer a verdade. Em segundo lugar, demonstra a fraqueza das institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas em apurar a veracidade das alega\u00e7\u00f5es. Em terceiro lugar, traz \u00e0 tona um dos motivos principais da dissemina\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es \u2013 o medo. Como afirma o fil\u00f3sofo Michel Onfray, \u2018o \u00faltimo deus desaparecer\u00e1 com o \u00faltimo dos homens, e com o \u00faltimo dos homens desaparecer\u00e3o o temor, o medo, a ang\u00fastia, essas m\u00e1quinas de criar divindades\u2019.<\/p>\n<p>Se precisamos temer a uma divindade para sermos justos, corretos e, enfim, para termos moral, ent\u00e3o alguma coisa est\u00e1 errada e estamos \u00e0 merc\u00ea de pessoas inescrupulosas que se utilizam de algo que um dia j\u00e1 foi proveitoso, mas que nos torna propensos \u00e0 engana\u00e7\u00e3o \u2013 nossa necessidade de cren\u00e7a. Assim, movimentos existencialistas e humanistas seculares precisam ter mais espa\u00e7o para divulgar suas id\u00e9ias, para buscar uma sociedade igualit\u00e1ria, justa e desprovida de preconceitos.<\/p>\n<p>O conforto que a religi\u00e3o prega pode ser alcan\u00e7ado de outras maneiras, sem que nos esque\u00e7amos de nosso contrato social, que nos possibilita uma vida digna e justa. \u00c9 por este caminho que a m\u00eddia poderia caminhar para auxiliar neste processo, como j\u00e1 fez em rela\u00e7\u00e3o aos negros, homossexuais e outras minorias. Todos t\u00eam o direito de professar sua religi\u00e3o, ou de deixar de professar ou crer em religi\u00f5es ou deuses, e \u00e9 necess\u00e1rio que este direito seja assegurado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ensaio a seguir foi publicado no\u00a0Observat\u00f3rio da Imprensa em 01\/01\/2008. 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