{"id":2116,"date":"2015-10-19T14:28:38","date_gmt":"2015-10-19T17:28:38","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=2116"},"modified":"2015-10-19T14:28:38","modified_gmt":"2015-10-19T17:28:38","slug":"a-vida-e-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=2116","title":{"rendered":"A vida e a luz"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;\u00c9 melhor a aus\u00eancia de luz do que uma luz tr\u00eamula e incerta, servindo apenas para extraviar aqueles que a seguem.&#8221; (Mikhail Bakunine)<\/p><\/blockquote>\n<p>Talvez Bakunine esteja certo quando analisamos um ser humano, j\u00e1 em est\u00e1gio evolutivo avan\u00e7ado. Desde o mais distante n\u00f3 da origem evolutiva dos vertebrados, o ponto crucial da diverg\u00eancia de suas mais variadas formas, s\u00e3o milh\u00f5es de anos moldando todos os aspectos de como captamos e usamos a informa\u00e7\u00e3o luminosa. N\u00e3o apenas n\u00f3s, mas cada um dos organismos vivos da Terra utilizam a luminosidade de alguma forma, direta ou indiretamente para sua sobreviv\u00eancia. Em geral, pigmentos org\u00e2nicos com habilidade de absorver radia\u00e7\u00e3o luminosa devolvem a energia obtida canalizando-a para alguma fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, ou simplesmente desencadeando um impulso nervoso em resposta. Esta luminosidade da qual os organismos dependem vem, primariamente, da radia\u00e7\u00e3o Solar.<\/p>\n<p>Entretanto, a forma que cada organismo vivo utiliza a luz \u00e9 t\u00e3o vari\u00e1vel que \u00e0s vezes qualquer luz tr\u00eamula basta para cumprir seu prop\u00f3sito. Pequenas algas que vivem em \u00e1guas mais profundas conseguem aproveitar a t\u00eanue luz de determinados comprimentos de onda que conseguem penetrar a coluna de \u00e1gua para obter energia suficiente para hidrolisar uma mol\u00e9cula de \u00e1gua e obter a energia biol\u00f3gica necess\u00e1ria para suas fun\u00e7\u00f5es. As cianobact\u00e9rias, algas e plantas de superf\u00edcie usam preferencialmente outra faixa luminosa, refletindo a cor verde que vemos em abund\u00e2ncia (apesar do decl\u00ednio) no nosso planeta.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que Bakunine n\u00e3o falava disso. Estava se referindo a conceitos comportamentais humanos. Ora, mas mesmo conceitos comportamentais humanos podem ser moduladas pela luminosidade. Para resumir um assunto bem complexo, os n\u00edveis do horm\u00f4nio melatonina variam durante 24h em resposta \u00e0 luminosidade. Uma das enzimas da via de s\u00edntese da melatonina \u00e9 dependente do escuro para seu funcionamento. Este horm\u00f4nio est\u00e1 relacionado com a regula\u00e7\u00e3o do ritmo circadiano, e com isso nossas atividades como esp\u00e9cie diurna. N\u00e3o \u00e9 a toa que indiv\u00edduos que trabalham de noite possuem aten\u00e7\u00e3o reduzida entre outros dist\u00farbios.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da detec\u00e7\u00e3o da luz para os animais talvez seja ainda mais crucial. Pigmentos fotossens\u00edveis nas primeiras c\u00e9lulas poderiam indicar um caminho, uma rota a locais com alimento (lembrando que os organismos fotossintetizantes s\u00e3o os produtores prim\u00e1rios e dependem exclusivamente da luz para isso). Altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o da luminosidade podem indicar a um organismo primitivo a presen\u00e7a e movimenta\u00e7\u00e3o de predadores ou presas. Enfim, conseguir visualizar de forma segura seu predador ou presa e perceber seu movimento \u00e9 ainda mais vantajoso. Qualquer passo em dire\u00e7\u00e3o a um melhor discernimento da informa\u00e7\u00e3o luminosa j\u00e1 \u00e9 suficiente para dar vantagem a seu portador. Isso explica porque o olho evoluiu in\u00fameras vezes de forma independente na \u00e1rvore da vida animal. Apesar disso, o esquema principal \u00e9 muito parecido. Uma estrutura especializada em captar a energia luminosa contendo uma camada de c\u00e9lulas ricas em pigmentos fotossens\u00edveis. Uma conex\u00e3o neural que transmita a mensagem na forma de impulso nervoso, e uma regi\u00e3o neural (um g\u00e2nglio ou parte do c\u00e9rebro) capaz de decodificar a mensagem e desencadear uma resposta. A complexidade destas estruturas \u00e9 t\u00e3o vari\u00e1vel quanto a complexidade dos organismos vivos. E as formas como cada grupo resolveu este problema \u00e9 igualmente vari\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar disso, embora Darwin tivesse postulado uma peculiar dificuldade em explicar o surgimento do olho atrav\u00e9s de pequenos passos graduais ao longo das gera\u00e7\u00f5es, pesquisadores suecos em 1994 demonstraram com modelos de que maneira um olho tipo c\u00e2mara com lente, como o nosso, poderia ter surgido a partir de uma camada de c\u00e9lulas fotossens\u00edveis. Com uma estimativa exageradamente pessimista, eles chegaram a poucas centenas de milhares de anos. Adicionalmente, diversos tipos de olho tecnicamente intermedi\u00e1rios ao olho tipo c\u00e2mara, tamb\u00e9m encontrados na natureza em outras esp\u00e9cies, poderiam se formar em menos tempo. O mais impressionante em saber como o olho se desenvolve \u00e9 notar como a evolu\u00e7\u00e3o usa o que tem em m\u00e3os para dar origem a estruturas novas. Por exemplo, o cristalino, a lente que permite focalizar melhor as estruturas vis\u00edveis, \u00e9 formado\u00a0por prote\u00ednas, muitas delas com atividade enzim\u00e1tica, bem como outras hom\u00f3logas (de mesma origem) a outras como a lactato desidrogenase, \u00e1lcool desidrogenase, entre outras.<\/p>\n<p>Enfim, para a evolu\u00e7\u00e3o, qualquer luz tr\u00eamula pode ser melhor que a escurid\u00e3o absoluta.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Esta postagem foi realizada em fun\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/genereporter.blogspot.com.br\/2015\/10\/blogagem-coletiva-sntc.html\" target=\"_blank\">blogagem coletiva <\/a>referente \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o da Semana Nacional da Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 melhor a aus\u00eancia de luz do que uma luz tr\u00eamula e incerta, servindo apenas para extraviar aqueles que a seguem.&#8221; (Mikhail Bakunine) Talvez&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[5],"tags":[258,260,257,262,261,259],"class_list":["post-2116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia","tag-ciencia-e-vida","tag-fotossintese","tag-luz","tag-olho","tag-retina","tag-semana-nacional-de-ciencia-e-tecnologia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2116"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2117,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions\/2117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}