{"id":1750,"date":"2015-03-24T15:09:01","date_gmt":"2015-03-24T18:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1750"},"modified":"2015-03-24T15:09:01","modified_gmt":"2015-03-24T18:09:01","slug":"quer-ser-um-cientista-a-iniciacao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1750","title":{"rendered":"Quer ser um cientista? &#8211; A Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p>Se a melhor forma de aprender \u00e9 na pr\u00e1tica, a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica torna-se o melhor caminho para um estudante entender e aprender a fazer ci\u00eancia. Mas ser\u00e1 que isso realmente funciona assim? Bom, n\u00e3o vou conseguir responder isso agora, mas vou dar o panorama geral da teoria do que \u00e9 a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. Podemos discutir isso por a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica \u00e9 a forma pela qual um aluno come\u00e7a seu contato com o meio cient\u00edfico. \u00c9 como chamamos normalmente os est\u00e1gios realizados nos laborat\u00f3rios de pesquisa com a finalidade de desenvolver um projeto durante a gradua\u00e7\u00e3o em qualquer curso. O projeto \u00e9 o documento norteador das atividades de pesquisa de um laborat\u00f3rio. \u00c9 no projeto que constam as informa\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas necess\u00e1rias para se compreender o que ser\u00e1 feito, bem como os objetivos do trabalho. Tamb\u00e9m \u00e9 onde consta a metodologia que ser\u00e1 utilizada para alcan\u00e7ar os objetivos. Um laborat\u00f3rio pode ter um ou mais projetos em andamento, de acordo com as necessidades e objetivos maiores dos cientistas. Um aluno de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica pode ter um projeto s\u00f3 para ele, mas tamb\u00e9m pode ter um plano de trabalho dentro de um projeto maior, muitas vezes financiado por algum \u00f3rg\u00e3o como o <a href=\"http:\/\/www.cnpq.br\/\" target=\"_blank\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)<\/a> ou Funda\u00e7\u00f5es de Amparo \u00e0 Pesquisa estaduais.<\/p>\n<p>Com o desenvolvimento de um projeto de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica o aluno come\u00e7a a tomar contato com as atividades cient\u00edficas da institui\u00e7\u00e3o, a pesquisa acad\u00eamica. \u00c9 a fase de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, um dos pilares de uma universidade, por exemplo (ou a finalidade de institutos de pesquisa). S\u00e3o apresentadas ao aluno as metodologias trabalhadas nos laborat\u00f3rios, as principais t\u00e9cnicas. Aos poucos ele vai se dando conta de que o conte\u00fado das aulas \u00e9 nada frente ao que \u00e9 necess\u00e1rio para entender todos os passos de um projeto. Na teoria, o desenvolvimento de um projeto de pesquisa deve dar ao aluno um vislumbre do que \u00e9 a ci\u00eancia e como ela \u00e9 feita. Pelo menos este \u00e9 um dos objetivos. Ou deveria ser. \u00c9 claro que \u00e9 imposs\u00edvel que um aluno de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica consiga absorver em poucos meses toda a problem\u00e1tica envolvida nos projetos em desenvolvimento em um laborat\u00f3rio, mas \u00e9 um caminho necess\u00e1rio principalmente para aqueles que optarem por seguir a carreira de cientista (n\u00e3o vou entrar no m\u00e9rito da discuss\u00e3o de que n\u00e3o existe carreira de cientista no Brasil, isso \u00e9 outra discuss\u00e3o).<\/p>\n<p>As regras exatas para o momento e os requisitos b\u00e1sicos para este in\u00edcio dependem\u00a0de v\u00e1rios fatores. Em geral \u00e9 necess\u00e1rio um orientador que tenha uma estrutura m\u00ednima adequada para o desenvolvimento de um projeto (que pode variar de acordo com a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, claro). Em alguns casos \u00e9 esperado que o aluno tenha um m\u00ednimo de disciplinas cursadas, mas \u00e9 poss\u00edvel ter alunos de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica sem nenhum conhecimento acad\u00eamico pr\u00e9vio. \u00d3rg\u00e3os de fomento como os citados anteriormente, entre outros, podem oferecer bolsas para que os alunos dediquem-se \u00e0 Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. As regras para que um aluno tenha a bolsa s\u00e3o pr\u00f3prios de cada institui\u00e7\u00e3o, mas em geral envolvem um processo seletivo. Em geral, s\u00e3o avaliados o curr\u00edculo do orientador, o projeto e o plano de trabalho do aluno. Em alguns casos o curr\u00edculo ou hist\u00f3rico do aluno pode ser avaliado. \u00c9 muito frequente que o orientador abra vagas para que determinados alunos entrem nesta disputa (pode haver uma sele\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dentro do laborat\u00f3rio, por exemplo). Desconhe\u00e7o casos em que o orientador n\u00e3o escolha seu bolsista (haver sele\u00e7\u00f5es independentes, por exemplo).<\/p>\n<p>O aluno de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica n\u00e3o \u00e9 um mero estagi\u00e1rio. Ele precisa come\u00e7ar a pensar sobre o problema, sobre seu projeto. N\u00e3o basta aprender uma t\u00e9cnica e p\u00f4-la em pr\u00e1tica. \u00c9 preciso aprender o porqu\u00ea de usar a t\u00e9cnica. Quais as implica\u00e7\u00f5es dos resultados. E isso n\u00e3o se obt\u00e9m dentro das salas de aula. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio muito estudo, muita leitura. \u00c9 preciso come\u00e7ar a ter contato com as publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, a maioria delas na l\u00edngua da ci\u00eancia &#8211; o ingl\u00eas. Assim, se voc\u00ea entrou em um curso de n\u00edvel superior e tem inten\u00e7\u00e3o de ser cientista, precisa no m\u00ednimo ler em ingl\u00eas e compreender os artigos da \u00e1rea, cada qual com suas terminologias e t\u00e9cnicas. \u00c9 exigido do aluno de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica uma dedica\u00e7\u00e3o com seu trabalho bem al\u00e9m dos hor\u00e1rios destinados \u00e0s t\u00e9cnicas de laborat\u00f3rio. E ele n\u00e3o pode se descuidar das aulas, claro.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos temos tamb\u00e9m a possibilidade de que alunos do Ensino M\u00e9dio de escolas p\u00fablicas participem de atividades de pesquisa no laborat\u00f3rio. S\u00e3o conhecidos como Bolsistas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica J\u00fanior. J\u00e1 tivemos bolsas destas em nosso laborat\u00f3rio, v\u00e1rias\u00a0com excelente aproveitamento. Um erro do sistema \u00e9 n\u00e3o dar continuidade \u00e0s bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica aos alunos que vieram desta modalidade J\u00fanior quando entram nas universidades. A primeira vez que ouvi falar do programa Jovens Talentos para a Ci\u00eancia achei que se tratava disso, mas n\u00e3o. Este programa que recentemente foi alvo de discuss\u00f5es por problemas do edital. Nele os alunos rec\u00e9m ingressos nas universidades se inscreviam para uma prova independente de ENEM e, caso aprovados com uma nota m\u00ednima e dentro da cota disponibilizada nacionalmente, obtinham uma bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica para trabalhar em algum lugar na universidade. Esse \u00e9 o problema, no meu modo de ver. \u00c9 bem diferente pois os bolsistas aprovados n\u00e3o est\u00e3o vinculados a um orientador ou a um projeto. Uma pessoa na universidade \u00e9 respons\u00e1vel por direcionar este aluno a um laborat\u00f3rio. A qual? Sei l\u00e1. Enfim, algumas universidades podem se ajustar a isso de alguma forma. Como escrevi antes, se fosse uma continuidade na carreira cient\u00edfica para ex-bolsistas J\u00fanior, seria muito mais proveitoso, at\u00e9 porque, n\u00e3o h\u00e1 cotas para universidades como h\u00e1 nos casos das j\u00e1 consagradas bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Falando nestas cotas, estas cresceram muito nos \u00faltimos anos. Quando entrei na universidade eram pouqu\u00edssimas bolsas.<\/p>\n<p>\u00c9\u00a0poss\u00edvel entrar no mundo da ci\u00eancia ap\u00f3s sua gradua\u00e7\u00e3o, embora a maioria dos cursos exija um Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) que deve ser orientado por um docente por meio de um projeto de pesquisa. Deixar para ter este primeiro contato com a ci\u00eancia para o TCC pode acontecer com alguns alunos, mas n\u00e3o \u00e9 recomendado. Aqueles alunos que j\u00e1 est\u00e3o em laborat\u00f3rio com est\u00e1gios de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica h\u00e1 mais tempo normalmente conseguem mais destaque e mais oportunidades de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, se voc\u00ea entrou em um curso de gradua\u00e7\u00e3o, especialmente algum relacionado com \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o de cientistas, \u00e9 bom come\u00e7ar a se informar sobre as \u00e1reas de pesquisa dispon\u00edveis em sua universidade, sobre os docentes que fazem pesquisa, sobre os laborat\u00f3rios. Em seguida come\u00e7ar a conversar com estes docentes e conhecer sua linha de pesquisa e laborat\u00f3rio, dentro do cronograma que cada orientador age. Alguns preferem alunos que j\u00e1 fizeram alguns semestres do curso, outros permitem a participa\u00e7\u00e3o de calouros. A sua iniciativa \u00e9 importante, pois \u00e9 um pr\u00e9-requisito para ser cientista. Quer ser um cientista? Ent\u00e3o pode come\u00e7ar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a melhor forma de aprender \u00e9 na pr\u00e1tica, a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica torna-se o melhor caminho para um estudante entender e aprender a fazer ci\u00eancia. Mas ser\u00e1 que isso realmente funciona assim? Bom, n\u00e3o vou conseguir responder isso agora, mas vou dar o panorama geral da teoria do que \u00e9 a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. 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