{"id":1621,"date":"2014-09-25T15:40:02","date_gmt":"2014-09-25T18:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1621"},"modified":"2017-05-18T14:46:58","modified_gmt":"2017-05-18T17:46:58","slug":"conceitos-basicos-de-genetica-a-dominancia-completa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1621","title":{"rendered":"Conceitos b\u00e1sicos de gen\u00e9tica &#8211; a domin\u00e2ncia completa"},"content":{"rendered":"<p>No artigo anterior discuti sobre como uma caracter\u00edstica pode ser determinada por um gene, e como um gene pode se mostrar vari\u00e1vel em uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O alelo, ent\u00e3o, \u00e9 uma forma variante de um gene. Cada cromossomo do par de hom\u00f3logos possui um alelo, que \u00e9 uma sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos em um determinado locus. O outro cromossomo do par tem o outro alelo. Em termos gerais, quando nos referimos ao gene estamos falando do conjunto dos alelos que est\u00e3o em um determinado locus nos dois cromossomos hom\u00f3logos.<\/p>\n<p>Um indiv\u00edduo pode ter dois alelos iguais para um determinado gene, o que chamamos de homozigose. E pode ter dois alelos diferentes, o que chamamos de heterozigose. O conjunto destes dois alelos \u00e9 o que chamamos de gen\u00f3tipo. A varia\u00e7\u00e3o da caracter\u00edstica que estamos observando a partir deste gen\u00f3tipo \u00e9 o fen\u00f3tipo. Gen\u00f3tipos s\u00e3o classicamente representados por letras, sendo uma para cada alelo, e mai\u00fasculas para o alelo dominante e min\u00fasculas para o alelo recessivo. Uma conven\u00e7\u00e3o \u00e9 usar a letra da inicial do fen\u00f3tipo recessivo, mas com o passar do tempo e a descri\u00e7\u00e3o de in\u00fameros novos genes isso acabou complicando. Entretanto, para efeitos did\u00e1ticos utilizaremos uma \u00fanica letra sem se importar com outros detalhes, como segue:<\/p>\n<p>AA &#8211; homozigoto dominante;<br \/>\nAa &#8211; heterozigoto;<br \/>\naa &#8211; homozigoto recessivo.<\/p>\n<p>Mas como determinamos se o alelo \u00e9 dominante ou recessivo?<\/p>\n<p>Vamos tentar um exemplo, com uma caracter\u00edstica hipot\u00e9tica qualquer. Que tal cor de flor? Imagine que a cor vermelha de uma flor \u00e9 determinada por um alelo e a cor branca \u00e9 determinada por outro alelo de um mesmo gene. Conforme vimos, isto significa que existe uma sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos em uma mol\u00e9cula de DNA que determina a cor vermelha, enquanto outra sequ\u00eancia diferente determina a cor branca. De fato, o DNA n\u00e3o pode codificar um pigmento, mas pode ter a informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a s\u00edntese de uma enzima respons\u00e1vel pela fabrica\u00e7\u00e3o do pigmento. A c\u00f3pia normal pode produzir uma prote\u00edna normal, enquanto o alelo para a cor branca da flor pode ter informa\u00e7\u00e3o para uma prote\u00edna sem fun\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o consegue produzir o pigmento colorido e a flor fica branca.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem os dois alelos que determinam a cor vermelha, obviamente voc\u00ea ter\u00e1 uma flor vermelha, e quando tiver dois alelos que determinam a cor branca voc\u00ea ter\u00e1 uma flor branca. Mas e quando o indiv\u00edduo for heterozigoto? A forma como se d\u00e1 a intera\u00e7\u00e3o entre dois alelos diferentes de um gene em um indiv\u00edduo \u00e9 o que determina o que chamamos de dominante ou recessivo. Assim, precisamos analisar os heterozigotos.<\/p>\n<p>De que maneira os dois alelos, ou seja, as duas c\u00f3pias diferentes de DNA na c\u00e9lula interagem para formar o fen\u00f3tipo? \u00c9 aqui que definimos se um alelo \u00e9 dominante ou recessivo. O heterozigoto possui apenas um alelo que codifica a enzima que produz o pigmento. Se esta \u00fanica c\u00f3pia do gene \u00e9 suficiente para produzir a enzima e observarmos a cor vermelha, dizemos que este alelo \u00e9 o dominante. Neste caso, n\u00e3o vamos observar a manifesta\u00e7\u00e3o do alelo para cor branca. A flor inteira \u00e9 vermelha, tal qual seria se o gen\u00f3tipo fosse homozigoto para flor vermelha. O alelo da flor branca est\u00e1 escondido, mascarado pelo efeito do alelo para flor vermelha. Desta forma, dizemos que o alelo para flor vermelha tem domin\u00e2ncia completa sobre o alelo para flor branca. O alelo para flor branca continua presente no heterozigoto, mas n\u00e3o se manifesta neste indiv\u00edduo. Por\u00e9m, pode se manifestar na gera\u00e7\u00e3o seguinte, com a forma\u00e7\u00e3o dos gametas, caso encontre outro gameta tamb\u00e9m para flor branca.<\/p>\n<p>Note bem que a domin\u00e2ncia est\u00e1 exclusivamente relacionada com a capacidade de manifesta\u00e7\u00e3o da caracter\u00edstica no heterozigoto. N\u00e3o importa se 99% das flores do jardim seja branca, o alelo de flor vermelha continua sendo dominante. N\u00e3o tem a ver com n\u00famero nem for\u00e7a bruta. N\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o de domin\u00e2ncia. Em humanos h\u00e1 algumas caracter\u00edsticas que podem confundir, mas exemplificam muito bem a quest\u00e3o. Por exemplo, analisando o n\u00famero de dedos temos indiv\u00edduos ditos normais que possuem cinco dedos, e indiv\u00edduos que possuem mais do que cinco dedos, uma caracter\u00edstica denominada polidactilia. A polidactilia \u00e9 dominante. Sim, \u00e9 determinada por um alelo dominante. N\u00e3o importa que a maior parte das pessoas que voc\u00ea conhe\u00e7a tenha cinco dedos, polidactilia continua sendo uma caracter\u00edstica dominante. Indiv\u00edduos em heterozigose j\u00e1 apresentam a polidactilia.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras intera\u00e7\u00f5es al\u00e9licas, a domin\u00e2ncia incompleta e a codomin\u00e2ncia, mas desta vez vou ficar por aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No artigo anterior discuti sobre como uma caracter\u00edstica pode ser determinada por um gene, e como um gene pode se mostrar vari\u00e1vel em uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[291],"tags":[212,213,208],"class_list":["post-1621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-conceitos-basicos","tag-alelos","tag-genes","tag-interacao-alelica"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1621"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1622,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621\/revisions\/1622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}