{"id":1617,"date":"2014-09-24T23:24:28","date_gmt":"2014-09-25T02:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1617"},"modified":"2017-05-18T14:48:11","modified_gmt":"2017-05-18T17:48:11","slug":"conceitos-basicos-de-genetica-dos-genes-as-caracteristicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1617","title":{"rendered":"Conceitos b\u00e1sicos de gen\u00e9tica &#8211; dos genes \u00e0s caracter\u00edsticas"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">Conceitos da gen\u00e9tica cl\u00e1ssica s\u00e3o importantes para a compreens\u00e3o de muitas quest\u00f5es. Desde os procedimentos para melhoramento gen\u00e9tico de plantas cultivadas ou animais criados, at\u00e9 os mecanismos de heran\u00e7a de doen\u00e7as humanas ou de animais. S\u00e3o tamb\u00e9m muito importantes para compreender a forma como a frequ\u00eancia dos genes flutua nas popula\u00e7\u00f5es ao longo das gera\u00e7\u00f5es, o processo que conhecemos como evolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt; orphans: auto; text-align: start; widows: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">Antes de entrar neste ponto, vejamos alguns conceitos-chave. O primeiro deles \u00e9 o conceito de genes. Embora a defini\u00e7\u00e3o de gene tenha mudado muito ao longo dos anos com novas descobertas, eu uso uma que considero informativa o suficiente e que funciona bem para v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es do meio acad\u00eamico, nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o. Um gene \u00e9 uma sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos no DNA (\u00c1cido Desoxirribonucleico) que tem informa\u00e7\u00e3o para ser expresso, ou seja, para ser transcrito (produzir um RNA, o \u00c1cido Ribonucleico). Uma \u00fanica mol\u00e9cula de DNA forma um cromossomo, e normalmente \u00e9 grande o suficiente para conter in\u00fameros genes, cada um deles em uma posi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Esta posi\u00e7\u00e3o n\u00f3s chamamos de locus. Lembrando que em geral quando falamos de hereditariedade nos referimos a organismos diploides, chegamos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que cada indiv\u00edduo vai ter duas c\u00f3pias de um gene, localizados no mesmo locus em cromossomos hom\u00f3logos (aqueles que formam os famosos pares e que foram recebidos pelos gametas de cada um dos parentais).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt; orphans: auto; text-align: start; widows: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">Ao determinar onde come\u00e7a o gene (uma sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos no DNA chamado de regi\u00e3o promotora), a enzima RNA polimerase constr\u00f3i uma mol\u00e9cula de RNA nova tendo como base a mol\u00e9cula de DNA. Algumas destas mol\u00e9culas de RNA ser\u00e3o processadas (modificadas) e se tornar\u00e3o o que conhecemos como RNA mensageiro. O RNAm por sua vez \u00e9 lido pelos ribossomos e a informa\u00e7\u00e3o ali contida, na forma de sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos (representados pelas letras A, C, G e U) permite a constru\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9cula de prote\u00edna. Desta forma, a informa\u00e7\u00e3o do RNA \u00e9 traduzida em sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos na prote\u00edna. Cada tr\u00eas nucleot\u00eddeos no RNA mensageiro (o c\u00f3don) significa um amino\u00e1cido na prote\u00edna que est\u00e1 sendo sintetizada. A correta s\u00edntese da prote\u00edna baseada na sequ\u00eancia dos nucleot\u00eddeos do RNA \u00e9 garantida pelo C\u00f3digo Gen\u00e9tico, o dicion\u00e1rio que a c\u00e9lula utiliza para fazer a tradu\u00e7\u00e3o. Nele, por exemplo, consta que o c\u00f3don AAA indica o amino\u00e1cido lisina.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt; orphans: auto; text-align: start; widows: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">Acontece que alguns processos podem alterar a sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos no DNA, ocasionando varia\u00e7\u00f5es no gene. Se uma muta\u00e7\u00e3o altera o primeiro nucleot\u00eddeo do c\u00f3don acima, alterando de A para G, por exemplo, mudamos o c\u00f3don para GAA, que n\u00e3o significa mais lisina, mas glutamato. Alterando a sequ\u00eancia dos amino\u00e1cidos nas prote\u00ednas pode se alterar sua forma tridimensional e, com isso, alterar sua fun\u00e7\u00e3o. Entretanto, uma vez que o c\u00f3digo gen\u00e9tico possui 64 c\u00f3dons poss\u00edveis que representam 20 amino\u00e1cidos e mais tr\u00eas c\u00f3dons para parada (fim da s\u00edntese da prote\u00edna), podemos deduzir que deve haver amino\u00e1cidos codificados por mais do que um c\u00f3don. De fato, h\u00e1 certos amino\u00e1cidos que podem ter at\u00e9 6 c\u00f3dons diferentes, enquanto outros podem possuir apenas um. Por isso dizemos que o c\u00f3digo gen\u00e9tico \u00e9 redundante. Isto significa que eventualmente, as altera\u00e7\u00f5es no DNA n\u00e3o resultam em altera\u00e7\u00e3o na sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos da prote\u00edna, e ela permanece exatamente como se a altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse acontecido.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt; orphans: auto; text-align: start; widows: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">\u00c9 f\u00e1cil imaginar que esta altera\u00e7\u00e3o na sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos dificilmente vai acontecer exatamente no mesmo ponto em ambas as mol\u00e9culas do DNA dos cromossomos hom\u00f3logos. Ou seja, provavelmente uma delas permanecer\u00e1 como estava e outra ser\u00e1 alterada. Estas altera\u00e7\u00f5es nos nucleot\u00eddeos do DNA podem acontecer por agentes externos, como radia\u00e7\u00f5es, ou mesmo por agentes internos, como erros de c\u00f3pia da DNA polimerase, a enzima respons\u00e1vel pela duplica\u00e7\u00e3o do DNA. E se esta altera\u00e7\u00e3o acontece em c\u00e9lulas que produzem gametas, a nova varia\u00e7\u00e3o pode ser passada aos descendentes. A partir de agora, cada varia\u00e7\u00e3o deste gene pode ser chamada de alelo. Em uma popula\u00e7\u00e3o, temos diferentes alelos fazendo parte de diferentes indiv\u00edduos que sempre ter\u00e3o dois deles, um localizado no cromossomo recebido de um dos parentais e outro no mesmo locus do cromossomo recebido do outro parental.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 19.5pt; line-height: 18.3pt;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Helvetica','sans-serif'; color: #333333;\">No pr\u00f3ximo artigo, discutirei como os alelos interagem nas c\u00e9lulas para formar o fen\u00f3tipo \u2013 a caracter\u00edstica observada.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conceitos da gen\u00e9tica cl\u00e1ssica s\u00e3o importantes para a compreens\u00e3o de muitas quest\u00f5es. Desde os procedimentos para melhoramento gen\u00e9tico de plantas cultivadas ou animais criados,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[291],"tags":[14,184,210,211,209],"class_list":["post-1617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-conceitos-basicos","tag-biologia-molecular","tag-codigo-genetico","tag-expressao-genica","tag-traducao","tag-transcricao"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1617"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1620,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1617\/revisions\/1620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}