{"id":1614,"date":"2014-09-18T10:29:04","date_gmt":"2014-09-18T13:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1614"},"modified":"2014-09-18T10:29:04","modified_gmt":"2014-09-18T13:29:04","slug":"a-clorofila-e-o-arquiteto-inteligente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1614","title":{"rendered":"A clorofila e o arquiteto inteligente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Mais um texto sa\u00eddo direto do t\u00fanel do tempo. Publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/www.darwin.bio.br\/?p=108\" target=\"_blank\">Projeto Evoluindo<\/a>, em 2004. O que \u00e9 mais parcimonioso? Que processos evolutivos que utilizam as pe\u00e7as dispon\u00edveis dentro de uma varia\u00e7\u00e3o populacional, selecionando o que se mostra mais eficiente e eliminando os menos adequados, deixando resqu\u00edcios verific\u00e1veis na hist\u00f3ria molecular dos organismos, ou um arquiteto inteligente capaz de criar tudo de um modo &#8220;meia-boca&#8221;?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A bioqu\u00edmica tem sido a \u00e1rea predileta dos defensores do projeto\u00a0inteligente, o ID. Interessantemente, dentro da bioqu\u00edmica podemos\u00a0encontrar v\u00e1rios exemplos que dep\u00f5em contra os argumentos freq\u00fcentemente\u00a0utilizados na defesa deste pensamento.<\/p>\n<p>Um destes exemplos \u00e9 brilhantemente exposto pela clorofila. A clorofila\u00a0\u00e9 uma mol\u00e9cula muito semelhante \u00e0 nossa hemoglobina. Ela \u00e9 encontrada em\u00a0todas as esp\u00e9cies vegetais, de algas at\u00e9 sequ\u00f3ias, e em alguns\u00a0n\u00e3o-vegetais, como as bact\u00e9rias verde-azuladas, sendo respons\u00e1vel pela\u00a0colora\u00e7\u00e3o verde das mesmas. A fun\u00e7\u00e3o principal da clorofila \u00e9 absorver\u00a0f\u00f3tons da luz emitida pelo Sol participando assim de uma cadeia de\u00a0transporte de el\u00e9trons que culmina na hidr\u00f3lise de mol\u00e9culas de \u00e1gua e\u00a0na produ\u00e7\u00e3o de ATP, necess\u00e1rio para a fase escura da fotoss\u00edntese onde\u00a0os carboidratos s\u00e3o sintetizados a partir do g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>Mas a clorofila n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela cor verde das folhas e das algas?\u00a0Sim. Isto significa que ela reflete as cores amarelo e verde do\u00a0espectro, absorvendo apenas o vermelho e o violeta. O detalhe \u00e9 que o\u00a0Sol emite mais luz amarelo e verde do que vermelho e violeta.<\/p>\n<p>Interessantemente, a mol\u00e9cula mais amplamente difundida no reino vegetal\u00a0rejeita as cores que permitiriam um melhor aproveitamento da energia\u00a0vinda do Sol.<\/p>\n<p>Com um melhor aproveitamento desta energia, mais carboidratos poderiam\u00a0ser armazenados. Desta forma, indiv\u00edduos portadores de varia\u00e7\u00f5es onde\u00a0outros tipos de pigmentos capazes de absorver os raios verde e amarelo\u00a0poderiam ter mais vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos pobres portadores de\u00a0clorofila. Existiriam estes pigmentos na natureza? Claro que sim.<\/p>\n<p>Caroteno e ficobilina s\u00e3o exemplos destes pigmentos e s\u00e3o presentes em\u00a0muitos vegetais, desde algas.<\/p>\n<p>Ora, se as plantas podem ter outros pigmentos mais eficientes na\u00a0capta\u00e7\u00e3o da luz do Sol, por que elas ainda s\u00e3o verdes? Porque\u00a0simplesmente a clorofila n\u00e3o foi eliminada da jogada. E por que n\u00e3o\u00a0seria? N\u00e3o seria mais vantajoso para as plantas que elas tivessem cada\u00a0vez mais pigmentos que absorvessem a luz do comprimento de onda que o\u00a0Sol mais emana? Certamente que sim. Isso se n\u00e3o fosse necess\u00e1rio que\u00a0estes pigmentos transferissem os el\u00e9trons captados para a clorofila e de\u00a0l\u00e1 seguissem seu curso normal.<\/p>\n<p>Ou seja: onde est\u00e1 a arquitetura inteligente em se fazer necess\u00e1rio\u00a0manter uma estrutura arcaica quando o novo pigmento poderia desempenhar\u00a0sua fun\u00e7\u00e3o? A clorofila faz parte da &#8220;complexidade irredut\u00edvel&#8221;? Mas a\u00a0clorofila seria descart\u00e1vel se os caroten\u00f3ides ou ficobilinas pudessem\u00a0por si mesmos, passar os el\u00e9trons excedentes (gerados pela absor\u00e7\u00e3o do\u00a0f\u00f3ton) para o passo seguinte na cadeia de transporte. Ser\u00e1 que n\u00e3o\u00a0acontece nada semelhante na natureza?<\/p>\n<p>Durante a passagem da luz em mais de 10 metros de \u00e1gua, toda luz azul\u00a0verde \u00e9 absorvida. O que restaria para a clorofila de algas que vivem h\u00e1\u00a0mais de 10 metros de profundidade? Estas algas precisaram de novos\u00a0pigmentos capazes de absorver luz de outros comprimentos de onda. Nelas\u00a0s\u00e3o encontrados a ficoeritrobilina e a ficocianobilina. Assim, estas\u00a0algas podem fazer sua fotoss\u00edntese sem necessidade de clorofila.<\/p>\n<p>Outro caminho tomado por plantas desprovidas de clorofila \u00e9 o do\u00a0heterotrofismo, podendo ser sugadoras ou sapr\u00f3fitas.<\/p>\n<p>Certamente, para um melhor desempenho, uma engenharia inteligente\u00a0desenvolveria pigmentos capazes de aproveitar melhor a luz do Sol na\u00a0fotoss\u00edntese, eliminando o intermedi\u00e1rio (clorofila) e economizando a\u00a0energia gasta para a s\u00edntese de pigmentos extras.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Campbell, N. A.; Reece, J. B.; Mitchell, L. G. (1999). Biology. 5th\u00a0Edition, Benjaming Cummings, New York, 1175pp.<\/p>\n<p>Voet, D; Voet, J. G. (1995) Biochemistry. 2nd Edition. John Wiley and\u00a0Sons, New York, 1360pp.<\/p>\n<p>Willis, K. J.; McElwain, J. C. (2002). The Evolution of Plants. Oxford\u00a0University Press, 378pp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um texto sa\u00eddo direto do t\u00fanel do tempo. Publicado originalmente no Projeto Evoluindo, em 2004. O que \u00e9 mais parcimonioso? 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