{"id":1536,"date":"2013-11-27T23:42:03","date_gmt":"2013-11-28T02:42:03","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1536"},"modified":"2013-11-27T23:42:03","modified_gmt":"2013-11-28T02:42:03","slug":"dna-o-que-vem-por-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=1536","title":{"rendered":"DNA &#8211; o que vem por a\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o texto que foi o ponto de partida para o artigo da Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as. Melhorou bastante na revista&#8230;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Imagine-se chegando ao trabalho ou \u00e0 escola e, com uma pequena agulhada no dedo, sua identidade aparece no visor e sua entrada \u00e9 liberada. Com um processamento extremamente r\u00e1pido, o DNA do seu sangue \u00e9 lido e as sequ\u00eancias que o tornam uma pessoa \u00fanica s\u00e3o reconhecidas. Este \u00e9 um trecho do filme GATTACA, de 1997. O nome \u00e9 uma alus\u00e3o \u00e0s bases nitrogenadas encontradas no DNA \u2013 guanina (G), citosina (C), timina (T) e adenina (A). No entanto, o mundo de GATTACA \u00e9 bem mais complexo, e envolve a sele\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es livres de doen\u00e7as gen\u00e9ticas e predisposi\u00e7\u00f5es ao tipo de trabalho que os pais desejam (e podem pagar). Casais s\u00e3o formados a partir de an\u00e1lises gen\u00e9ticas de compatibilidade. As poucas pessoas nascidas atrav\u00e9s dos antigos m\u00e9todos passam a ser discriminadas pelo que seus genes apresentam. At\u00e9 que ponto esta distopia pode se tornar algo real no futuro?<\/p>\n<p>Desde a descoberta da estrutura do DNA, assim como da forma como o DNA direciona a sua pr\u00f3pria replica\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias ferramentas para se estudar os componentes gen\u00e9ticos de in\u00fameras caracter\u00edsticas humanas tem sido desenvolvidas. Utilizando a amplifica\u00e7\u00e3o de pequenos trechos extremamente vari\u00e1veis do genoma pela Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia da Polimerase (PCR), por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel identificar uma pessoa com uma certeza extremamente elevada. Esta \u00e9 a base para os testes de paternidade e as an\u00e1lises forenses, por exemplo. Nos Estados Unidos existe uma base de dados de DNA de criminosos que permite a identifica\u00e7\u00e3o relativamente r\u00e1pida de uma pessoa que j\u00e1 esteja neste banco de dados, parecido com o que se v\u00ea em GATTACA. A PCR tamb\u00e9m serve para identificar genes espec\u00edficos que s\u00e3o passados por grandes m\u00e1quinas leitoras de DNA, chamadas sequenciadoras, que permitem identificar a sequ\u00eancia exata de bases nitrogenadas em um gene. Este sequenciamento \u00e9 \u00fatil para detectar pequenas varia\u00e7\u00f5es que podem indicar doen\u00e7as gen\u00e9ticas. Atualmente j\u00e1 existem empresas que alegam fazer uma varredura das principais varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que causam doen\u00e7as presentes em um embri\u00e3o e selecionar um que esteja livre delas para a implanta\u00e7\u00e3o. De acordo com esta empresa, at\u00e9 mesmo a cor dos olhos pode ser escolhida!<\/p>\n<p>Este tipo de sele\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es esbarra em um problema b\u00e1sico \u2013 uma boa parte das caracter\u00edsticas que observamos \u00e9 determinada por um grande conjunto de genes, o que dificulta o estudo inicial e tamb\u00e9m as potenciais possibilidades de sele\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es ou mesmo de diagn\u00f3stico precoce de algumas doen\u00e7as. \u00c0 medida que novas varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas s\u00e3o identificadas como causadoras ou como potenciais mecanismos de predisposi\u00e7\u00e3o a alguma doen\u00e7a, o teste em laborat\u00f3rio rapidamente torna-se poss\u00edvel e dispon\u00edvel para as pessoas. \u00c9 claro que o custo de qualquer nova tecnologia inicialmente \u00e9 elevado, mas cai consideravelmente de pre\u00e7o com o passar do tempo. Al\u00e9m disso, toda a base para se fazer estes testes j\u00e1 foi desenvolvida e \u00e9 rotina em in\u00fameros laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico precoce de doen\u00e7as humanas de longe \u00e9 um dos mais desejados resultados das pesquisas gen\u00e9ticas. Outra certamente \u00e9 sua cura. Neste campo \u00e9 poss\u00edvel destacar os avan\u00e7os em terapia g\u00eanica. A perspectiva cada vez mais real \u00e9 a de que seja poss\u00edvel no futuro inserir um gene normal em uma c\u00e9lula que tenha o gene defeituoso, fazendo com que o produto deste gene (um fator de coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, por exemplo) seja produzido normalmente. Este seria um tratamento definitivo para hemofilia, diabetes, c\u00e2ncer, doen\u00e7as neurol\u00f3gicas e v\u00e1rias outras. Outra frente de trabalho na \u00e1rea de sa\u00fade \u00e9 a farmacogen\u00e9tica, ou a constru\u00e7\u00e3o de um medicamento espec\u00edfico para cada um. Como as pessoas s\u00e3o diferentes em sua composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, h\u00e1 medicamentos extremamente eficientes para determinadas pessoas e ineficientes para outras. Estes estudos permitir\u00e3o identificar estas diferen\u00e7as e produzir um tratamento individualizado. \u00c9 muito parecido com o que acontece com as dietas para controle de peso. Algumas pessoas podem responder melhor a determinados tipos de dietas, outras respondem melhor a outro tipo. A nutrigen\u00e9tica e a nutrigen\u00f4mica s\u00e3o \u00e1reas que tem um potencial interessante para a melhora na qualidade de vida e at\u00e9 mesmo a cura de doen\u00e7as relacionadas \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o, como a obesidade, hipertens\u00e3o, n\u00edveis de colesterol, etc.<\/p>\n<p>E ser\u00e1 que voc\u00ea tende a cooperar socialmente apenas se houver algum tipo de puni\u00e7\u00e3o envolvida? Pois bem, pesquisadores brit\u00e2nicos recentemente associaram varia\u00e7\u00f5es em genes de receptores e transportadores de serotonina a um aumento no comportamento cooperativo sob algum tipo de puni\u00e7\u00e3o \u2013 quem n\u00e3o contribui, paga uma tarefa, por exemplo. Pessoas com um variante do gene de transporte da serotonina contribu\u00edram mais na aus\u00eancia de puni\u00e7\u00e3o, enquanto pessoas que apresentaram variante do gene de receptor de serotonina apresentaram coopera\u00e7\u00e3o maior nos experimentos com puni\u00e7\u00e3o. Ou seja, aos poucos os aspectos do comportamento humano tamb\u00e9m poder\u00e3o fazer parte daquela varredura e poderemos ser distinguidos e descritos pela nossa sequ\u00eancia de DNA, e poder\u00e3o ser utilizadas para melhor adequar os sistemas de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>O uso das ferramentas de estudo do DNA n\u00e3o param no que se refere \u00e0 sa\u00fade ou caracter\u00edsticas humanas. Cada vez mais t\u00eam sido utilizadas para dar assist\u00eancia a planos de manejo de fauna e flora, identificar esp\u00e9cies desconhecidas e tamb\u00e9m na an\u00e1lise de crimes ambientais. Com uma amostra de um m\u00f3vel, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel identificar a esp\u00e9cie da \u00e1rvore e saber se \u00e9 madeira de reflorestamento ou de extrativismo ilegal.<\/p>\n<p>Enfim, as possibilidades s\u00e3o in\u00fameras, mas n\u00e3o podemos perder o foco e usar as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas como meio discriminat\u00f3rio, como no filme GATTACA. As varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas humanas existem e podem ser \u00fateis para elevar o bem estar geral de nossa esp\u00e9cie, prolongando nossa estadia neste planeta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o texto que foi o ponto de partida para o artigo da Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as. 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