{"id":133,"date":"2011-09-07T15:32:56","date_gmt":"2011-09-07T18:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=133"},"modified":"2011-09-07T15:32:56","modified_gmt":"2011-09-07T18:32:56","slug":"desafios-do-ensino-de-biologia-evolutiva-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/?p=133","title":{"rendered":"Desafios do Ensino de Biologia Evolutiva no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Escrevemos este artigo para uma revista de Educa\u00e7\u00e3o brasileira, como um prel\u00fadio para a publica\u00e7\u00e3o de nossas pesquisas sobre a aceita\u00e7\u00e3o e o conhecimento de Evolu\u00e7\u00e3o entre estudantes, at\u00e9 para escrever algo sobre o assunto em portugu\u00eas. Infelizmente o artigo foi mal recebido, talvez porque n\u00e3o citei Vigotsky e as teorias da educa\u00e7\u00e3o mais aceitas, mas vai saber&#8230; Aqui est\u00e1 para quem realmente quiser analisar criticamente. Em tempo, nosso primeiro trabalho nesta \u00e1rea foi publicado em 2010 na revista <a href=\"http:\/\/www.springerlink.com\/content\/1544355570363p47\/\" target=\"_blank\">Evolution: Education and Outreach.<\/a><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Desafios do Ensino de Biologia Evolutiva no Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Rubens Pazza e Karine Frehner Kavalco<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p>Embora Darwin seja sempre lembrado como o pai da teoria evolutiva, a compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica como origem e manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade no planeta nem sempre \u00e9 verificada na popula\u00e7\u00e3o em geral. V\u00e1rios s\u00e3o os fatores que podem estar relacionados com a incompreens\u00e3o da teoria evolutiva, dentre eles destaca-se a quest\u00e3o religiosa. Embora tamb\u00e9m freq\u00fcentes mas nem sempre dissociados deste fator principal, pode-se tamb\u00e9m destacar o despreparo dos professores de ensino m\u00e9dio, a escassez de material did\u00e1tico-pedag\u00f3gico e a propaga\u00e7\u00e3o de conceitos err\u00f4neos sobre evolu\u00e7\u00e3o. Neste artigo, buscamos abordar estes temas levantando sugest\u00f5es de como minimizar os problemas da aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e tamb\u00e9m na repara\u00e7\u00e3o de conceitos err\u00f4neos freq\u00fcentemente difundidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Evolu\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica (ou a heran\u00e7a com modifica\u00e7\u00f5es) (Darwin, 1859) \u00e9 uma id\u00e9ia bastante popular e intuitiva, e embora seja corroborada enfaticamente a cada nova publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, entre o p\u00fablico geral \u00e9 ainda pouco aceita como Lei Natural. \u00c9 perfeitamente poss\u00edvel que todas as pessoas com o m\u00ednimo grau de instru\u00e7\u00e3o j\u00e1 tenham ouvido falar em Darwin, o \u201cpai\u201d da Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o. No entanto, a Teoria Evolutiva \u00e9 possivelmente uma das leis naturais mais mal conhecidas pelo grande p\u00fablico, o que a torna peculiarmente fadada a incompreens\u00f5es, desentendimentos e \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de conceitos err\u00f4neos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma teoria cient\u00edfica, na concep\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia moderna, que seja concorrente da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica para a explica\u00e7\u00e3o do surgimento, manuten\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a da biodiversidade. \u00c9 fato que os mecanismos e processos pelos quais os organismos vivos evoluem s\u00e3o objetos de muitos debates, conforme o avan\u00e7o do conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico das diversas \u00e1reas biol\u00f3gicas permite estudos mais aprofundados. Ali\u00e1s, esta \u00e9 uma caracter\u00edstica intr\u00ednseca do m\u00e9todo cient\u00edfico. O ac\u00famulo de quase 150 anos de estudos p\u00f3s-Darwin apenas adiciona ao esqueleto original da teoria os exemplos e mecanismos da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, refor\u00e7ando a famosa frase de Theodosius Dobzhansky (1973): \u201cnada em biologia faz sentido exceto \u00e0 luz da evolu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, uma Teoria ou Lei Cient\u00edfica t\u00e3o unificadora e comprovadamente eficaz como a Evolutiva p\u00f4de enfrentar os problemas de aceita\u00e7\u00e3o amplamente divulgados pela m\u00eddia norte-americana ou ter sido considerada equivalente a mitos religiosos ou filosofias, as quais n\u00e3o passaram pelo crivo cient\u00edfico que certificou as id\u00e9ias de Darwin e seus seguidores como Ci\u00eancia?<\/p>\n<p>Duas raz\u00f5es fundamentais podem ser levantadas para responder a esta indaga\u00e7\u00e3o. A primeira tem um cunho pessoal, no sentido em que a reflex\u00e3o sobre os pontos apresentados na Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o remete \u00e0s quest\u00f5es mais \u00edntimas do ser humano, sua f\u00e9 e cren\u00e7as, pois levanta explica\u00e7\u00f5es alternativas naturais para muitas perguntas fundamentais. Em muitos casos, tais quest\u00f5es de foro \u00edntimo impedem a compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da biologia evolutiva, contribuindo de forma direta ou indireta para a manuten\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o de conceitos err\u00f4neos sobre a evolu\u00e7\u00e3o, a ponto de ser poss\u00edvel a identifica\u00e7\u00e3o de cr\u00edticas baseadas unicamente em espantalhos do que se acredita que seja evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda hip\u00f3tese que pode ser levantada para explicar a resist\u00eancia das id\u00e9ias evolutivas como Lei Cient\u00edfica para p\u00fablico geral e que talvez seja indiretamente influenciada pela primeira (uma vez que a for\u00e7a da palavra de autoridades religiosas torna complicada a tarefa de professores e cientistas de ensinar e divulgar a evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica), \u00e9 a de que os conceitos evolutivos n\u00e3o seriam corretamente absorvidos pelos alunos, uma vez que estes carregam uma bagagem variada de erros conceituais dos mais diversos tipos, tornando um desafio para os educadores e divulgadores cient\u00edficos brasileiros o ensino desta ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste artigo, s\u00e3o levantados alguns pontos b\u00e1sicos acerca da problem\u00e1tica na aceita\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o da teoria evolutiva pela popula\u00e7\u00e3o em geral, bem como os desafios dos educadores e divulgadores cient\u00edficos brasileiros nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Evolu\u00e7\u00e3o x religi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Desde os tempos de Darwin at\u00e9 hoje, as maiores cr\u00edticas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o associadas a grupos religiosos. Dentre estes, no ocidente destacam-se os grupos de origem abra\u00e2mica. O desentendimento acontece uma vez que, segundo os escritos sagrados dos crist\u00e3os, Deus teria criado todas as esp\u00e9cies exatamente como s\u00e3o hoje. A cren\u00e7a na interven\u00e7\u00e3o de uma entidade superior na cria\u00e7\u00e3o de tudo \u00e9 chamada de criacionismo. No entanto, distintos grupos crist\u00e3os diferem em rela\u00e7\u00e3o ao grau de aceita\u00e7\u00e3o da teoria evolutiva, que vai desde os literalistas b\u00edblicos da Terra Jovem (que n\u00e3o aceitam as data\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas da idade da Terra, uma vez que a soma das idades dos patriarcas b\u00edblicos fornece uma origem para o homem e para o universo criado por Deus h\u00e1 pouco mais de 6 mil anos), da Terra Antiga (que aceitam as idades da Terra e do Universo determinadas pela ci\u00eancia) e outros tipos de criacionismos assumidamente crist\u00e3os, at\u00e9 o movimento neocriacionista do Desenho Inteligente (DI) (Scott, 1997).<\/p>\n<p>Diferentemente de outras partes do mundo, especialmente os Estados Unidos da Am\u00e9rica, no Brasil nenhum destes movimentos \u00e9 consideravelmente expressivo. N\u00e3o h\u00e1 press\u00f5es para o ensino de criacionismo nas aulas de ci\u00eancias como alternativa \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, exceto no Estado do Rio de Janeiro onde recentemente isto foi sugerido. Uma vez que o criacionismo n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia (nenhuma de suas vertentes), \u00e9 evidente que n\u00e3o perder um tempo precioso de aulas de ci\u00eancias com este assunto n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel. Tidon e Lewontin (2004) observaram que o tempo dispon\u00edvel para aulas de evolu\u00e7\u00e3o no ensino m\u00e9dio \u00e9 muito escasso, principalmente se considerarmos o papel importante da evolu\u00e7\u00e3o conforme determinado, inclusive, pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura (PCN Ensino M\u00e9dio, 2002). O conhecimento cient\u00edfico cresce vertiginosamente, de modo a ser imposs\u00edvel acompanhar todas as mudan\u00e7as nas salas de aula, ou ter\u00edamos que passar um tempo consideravelmente maior nos bancos da escola. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 motivo algum para perder tempo das aulas de ci\u00eancias ensinando n\u00e3o-ci\u00eancia ou pseudoci\u00eancia. Uma analogia interessante seria estudarmos os acontecimentos do livro \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, da autoria de J. R. R. Tolkien, nas aulas de Hist\u00f3ria. A diferen\u00e7a b\u00e1sica \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 nenhum grupo organizado que acredite, e tente fazer acreditar, que os acontecimentos narrados por Tolkien s\u00e3o reais.<\/p>\n<p>Um outro ponto a ser considerado \u00e9 que criacionismo deveria ser ensinado? In\u00fameros povos t\u00eam seus mitos de cria\u00e7\u00e3o (Sproul, 1979; Leerning e Leerning, 1994; Bishop, 1998). O que tornaria um mais ver\u00eddico que o outro, uma vez que adeptos de cada um destes mitos possuem provas de foro \u00edntimo incontest\u00e1veis? Talvez o criacionismo que devesse ser ensinado \u00e9 o mais amplamente difundido no Brasil, o criacionismo baseado na b\u00edblia crist\u00e3. Entretanto, como vimos, n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os criacionistas crist\u00e3os e, conseq\u00fcentemente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se determinar qual o criacionismo que se deve ser ensinado \u2013 Terra Jovem, Terra Antiga, Desenho Inteligente? Ainda, ser\u00e1 que o espa\u00e7o das aulas de ci\u00eancias \u00e9 o ideal para este tipo de abordagem? N\u00e3o seria mais interessante que houvesse disciplinas mais inclusivas e reflex\u00edveis para tal fim? Ou ainda, a educa\u00e7\u00e3o familiar e religiosa n\u00e3o \u00e9 suficiente para a transmiss\u00e3o destas tradi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Uma das principais dificuldades na compreens\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida alguma, est\u00e1 relacionada com as doutrinas religiosas. Podemos conjecturar que o homem pergunta sobre suas origens e busca explica\u00e7\u00f5es para os fen\u00f4menos naturais desde muito tempo. Tal aspecto \u00e9 demonstrado atrav\u00e9s de in\u00fameros mitos de cria\u00e7\u00e3o criados e disseminados por diferentes povos (Sproul, 1979; Leerning e Leerning, 1994; Bishop, 1998; entre outros). Os judeus tamb\u00e9m disseminavam seus mitos, deixando registrado em escritos que hoje comp\u00f5em parte da Tora judaica e da B\u00edblia crist\u00e3, no livro do G\u00eanesis. Estes escritos, no entanto, fornecem subs\u00eddios para diferentes interpreta\u00e7\u00f5es por parte dos te\u00f3logos, o que permite a aceita\u00e7\u00e3o gradual da teoria evolutiva, de acordo com tais interpreta\u00e7\u00f5es (para uma revis\u00e3o, ver Scott, 1997).<\/p>\n<p>Embora o n\u00famero de cat\u00f3licos tenha ca\u00eddo bastante de acordo com o \u00faltimo censo nacional, o n\u00famero destes no Brasil \u00e9 bastante superior ao de seguidores de outras religi\u00f5es (IBGE, 2000). Scott (1997) afirma que a vis\u00e3o do evolucionismo te\u00edsta (no qual a evolu\u00e7\u00e3o acontece, mas tudo foi criado e direcionado com interven\u00e7\u00e3o divina) \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o oficial da Igreja Cat\u00f3lica e tamb\u00e9m vem sendo ensinada em semin\u00e1rios protestantes. Esta posi\u00e7\u00e3o foi reiterada pelo papa Jo\u00e3o Paulo II em 1996. No entanto, at\u00e9 que ponto Deus interv\u00e9m nos processos evolutivos permanece um ponto pol\u00eamico, e muitas vezes limitante na compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o. O posicionamento materialista dos processos evolutivos que muitos cientistas \u2013 como Richard Dawkins (1987) e William Provine (1988) \u2013 tomam, no entanto, refor\u00e7a o coro dos literalistas de que algu\u00e9m n\u00e3o pode ser crist\u00e3o e evolucionista ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Uma vez que o comprometimento maior dos educadores \u00e9 com o p\u00fablico em geral, em especial com crian\u00e7as e jovens, boa parte desta discuss\u00e3o se torna conversa de bastidores. Na pr\u00e1tica, o educador ir\u00e1 se deparar com uma grande maioria que aceita o deus crist\u00e3o como criador do mundo natural, embora nem todos admitam a hist\u00f3ria de Ad\u00e3o e Eva como verdade literal. Muitas destas crian\u00e7as\/adolescentes participam ou j\u00e1 participaram de escolas dominicais religiosas onde tais ensinamentos s\u00e3o refor\u00e7ados. Ou seja, al\u00e9m do ensinamento tradicional, dom\u00e9stico, passado pela fam\u00edlia, tamb\u00e9m h\u00e1 a palavra da autoridade religiosa, muitas vezes considerada inequ\u00edvoca por ser inspirada por Deus. Como agir nesta situa\u00e7\u00e3o? Temos, ent\u00e3o, o primeiro desafio encontrado no ensino de evolu\u00e7\u00e3o: romper a barreira religiosa. Este \u00e9 um dos desafios mais complicados, pois alguns outros citados posteriormente s\u00e3o decorrentes dele.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos da Am\u00e9rica h\u00e1 uma luta hist\u00f3rica em tribunais no que se refere ao ensino de evolu\u00e7\u00e3o. Em alguns Estados, onde h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de evang\u00e9licos protestantes, os professores s\u00e3o proibidos de falar \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d e os livros-texto s\u00e3o obrigados a exibir uma advert\u00eancia de que evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201capenas\u201d uma teoria, tendo os professores que lecionar criacionismo como alternativa cient\u00edfica \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o. Em outros, os tribunais n\u00e3o consideram criacionismo como ci\u00eancia e assim, n\u00e3o \u00e9 alternativa \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o deve ser ensinado em aulas de ci\u00eancias (Scott, 1997). Uma alternativa para os criacionistas \u00e9 fazer tudo que for poss\u00edvel para tornar o criacionismo uma ci\u00eancia, angariando contribui\u00e7\u00f5es de cientistas como argumentos de autoridade e criando o \u201ccriacionismo cient\u00edfico\u201d, do qual ainda aguarda-se produ\u00e7\u00e3o que utilize o m\u00e9todo cient\u00edfico e o princ\u00edpio cient\u00edfico da parcim\u00f4nia. O m\u00e9todo mais recente de travestir o criacionismo de ci\u00eancia tem sido a releitura do argumento de William Paley (1803), de que Deus \u00e9 provado pela sua obra, onde ele argumenta que se encontr\u00e1ssemos um rel\u00f3gio em um deserto ter\u00edamos a certeza de que aquele rel\u00f3gio s\u00f3 poderia ter sido constru\u00eddo pelas m\u00e3os de um relojoeiro. Este argumento teleol\u00f3gico, no entanto, j\u00e1 havia sido fortemente rebatido por Hume (1779). Nesta releitura, chamada de Desenho Inteligente (DI), cientistas criacionistas d\u00e3o peso \u00e0 id\u00e9ia de que a complexidade de vida encontrada na Terra pode apenas ser explicada pela interven\u00e7\u00e3o de um projetista inteligente. A maioria dos adeptos do DI argumenta que este n\u00e3o \u00e9 um movimento religioso, mas cient\u00edfico, que \u00e9 suficiente para servir de alternativa \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, embora a id\u00e9ia tenha sido bastante agrad\u00e1vel aos olhos de religiosos (especialmente evang\u00e9licos protestantes) que viram no \u201carquiteto inteligente\u201d a figura exata de seu deus, dando nova roupagem cient\u00edfica ao criacionismo. No entanto, tal movimento n\u00e3o \u00e9 reconhecido como ci\u00eancia pelo meio acad\u00eamico. Curiosamente tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 aceito como ci\u00eancia pela Igreja Cat\u00f3lica, que alega que ensinar o DI ao lado da teoria evolutiva apenas gera confus\u00e3o (Winfield, 2005; CBS News, 2006). Por n\u00e3o ser reconhecida como ci\u00eancia, os criacionistas encontraram uma brecha tentando ensinar este neocriacionismo em aulas de filosofia (Barbassa, 2006).<\/p>\n<p>No Brasil os movimentos anti-evolucionistas ainda s\u00e3o fracos. N\u00e3o temos impedimento legal de ensino religioso em escolas, embora a liberdade de express\u00e3o as torne facultativas. Constitucionalmente, o Estado brasileiro \u00e9 laico. Todavia, no Estado do Rio de Janeiro recentemente foi cogitado o ensino do criacionismo b\u00edblico em aulas de ci\u00eancias, como alternativa \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, por parte de uma governadora assumidamente evang\u00e9lica protestante. Esta vertente crist\u00e3 tem aumentado o n\u00famero de seguidores no Brasil nos \u00faltimos anos (IBGE, 2000). Neste conjunto de denomina\u00e7\u00f5es religiosas encontramos os principais antievolucionistas brasileiros. Por sua vez, o movimento do DI no Brasil ainda \u00e9 superficial, embora v\u00e1rias tentativas de impor tais id\u00e9ias tenham sido efetuadas no Jornal da Ci\u00eancia &#8211; Email, publica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia \u2013 SBPC.<\/p>\n<p>Com o crescimento do n\u00famero de evang\u00e9licos, especialmente os literalistas, o panorama de uma sala de aula torna-se bastante complicado. O professor deve estar preparado para n\u00e3o entrar em choque com os alunos, o que poderia fech\u00e1-los definitivamente para o ensino da teoria evolutiva. Tamb\u00e9m precisa estar muito preparado didaticamente, para conseguir explicar evolu\u00e7\u00e3o de maneira clara, objetiva e de f\u00e1cil entendimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desafio did\u00e1tico-pedag\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Um professor bem preparado pode encontrar dificuldades ao lecionar evolu\u00e7\u00e3o a uma turma ecl\u00e9tica. N\u00e3o chocar a evolu\u00e7\u00e3o com a f\u00e9 do aluno certamente \u00e9 o caminho mais adequado. Embora n\u00e3o haja evid\u00eancias que demonstrem interven\u00e7\u00e3o sobrenatural nos processos evolutivos, tal vis\u00e3o depender\u00e1 da necessidade ou tradi\u00e7\u00e3o cultural de cada aluno e embora o professor possa (e deva) faz\u00ea-los raciocinar sobre o assunto, a conclus\u00e3o deve ser do pr\u00f3prio aluno. Ao professor bem preparado cabe explicar o assunto de modo concreto, claro e palp\u00e1vel, evitando o que \u00e9 mais comum quando o assunto \u00e9 evolu\u00e7\u00e3o \u2013 os erros conceituais.<\/p>\n<p>Tidon e Lewontin (2004) demonstram que \u00e9 poss\u00edvel perceber que infelizmente um dos grandes problemas do ensino de Evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 no preparo dos professores. Embora os professores afirmem que as teorias de Darwin e Lamarck de mudan\u00e7a nos organismos vivos seja um conte\u00fado f\u00e1cil de lecionar, os mesmo professores responderam outras quest\u00f5es demonstrando claro pensamento Lamarckista (Tidon e Lewontin, 2004).<\/p>\n<p>Um dos prov\u00e1veis motivos pelo qual os pr\u00f3prios professores apresentam defasagem no conhecimento \u00e9, mais uma vez, a religi\u00e3o. Como qualquer outra pessoa, durante sua forma\u00e7\u00e3o o professor possui sua pr\u00f3pria cren\u00e7a, que pode interferir na sua compreens\u00e3o dos processos evolutivos, mesmo em classes do ensino superior. Embora novamente haja uma distribui\u00e7\u00e3o gradual no n\u00edvel de interfer\u00eancia da religi\u00e3o no aprendizado do professor e na sua aceita\u00e7\u00e3o dos processos evolutivos, cren\u00e7as mais literalistas podem interferir diretamente no aprendizado de tais processos, bem como na maneira pela qual o professor ir\u00e1 ensinar o pensamento evolutivo. Embora os professores de um modo geral possam ter acesso \u00e0 bibliografia adequada em suas universidades, \u00e9 poss\u00edvel encontrar artigos em s\u00edtios criacionistas onde n\u00e3o apenas as id\u00e9ias evolutivas, mas tamb\u00e9m diversos outros conceitos amplamente evidenciados s\u00e3o distorcidos e oferecidos aos leitores como fatos cient\u00edficos (de Paula, 1999). De acordo com Rutledge e Mitchell (2002), a aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o da teoria evolutiva como explica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica v\u00e1lida pode influenciar na compreens\u00e3o dos estudantes acerca desta poderosa id\u00e9ia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o religiosa, o desafio na forma\u00e7\u00e3o de bons professores est\u00e1 no material did\u00e1tico de n\u00edvel superior. Poucas s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es em l\u00edngua portuguesa. At\u00e9 pouco tempo o livro mais recente era a tradu\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o de \u201cEvolutionary Biology\u201d (Futuyma, 1986), de 1997, quando a vers\u00e3o original j\u00e1 estava pr\u00f3xima do lan\u00e7amento da terceira edi\u00e7\u00e3o. Mais recentemente, a tradu\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o do livro \u201cEvolution\u201d de Stearns e Hoekstra (2000) e \u201cEvolution\u201d de Ridley (2004) foram publicadas. Infelizmente o tempo necess\u00e1rio at\u00e9 que tais livros cheguem \u00e0s bibliotecas de universidades pode ainda comprometer os estudos. A literatura internacional \u00e9 rica em livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, onde bons exemplos de argumenta\u00e7\u00e3o e estudos de caso s\u00e3o apresentados, alguns deles com vers\u00f5es em portugu\u00eas (Dawkins, 1998, 2001a e b; Gould, 1999; Zimmer, 1999; Entre outros). Embora a disponibilidade de vers\u00f5es traduzidas para o portugu\u00eas seja relativamente satisfat\u00f3ria, o pre\u00e7o dos livros tende a afastar os leitores, pois custam de 10 a 20% do sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente (Tabela 1). No entanto, livros-texto per si n\u00e3o fabricam um bom professor de evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por sua vez, os livros did\u00e1ticos de ensino m\u00e9dio dispon\u00edveis tiveram um aumento significativo na qualidade (Bizzo, 2000) e uma avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo realizada pelo nosso grupo neste momento. Esta pesquisa certamente auxiliar\u00e1 na compreens\u00e3o dos conceitos err\u00f4neos afirmados por alunos rec\u00e9m-ingressos no n\u00edvel universit\u00e1rio, em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es de biologia evolutiva (Pazza et al., 2010).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os meio de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o ensino de evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos livros did\u00e1ticos e de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u00e9 poss\u00edvel se obter informa\u00e7\u00f5es sobre evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da m\u00eddia escrita (cadernos de ci\u00eancia em jornais, revistas especializadas em divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) ou ainda atrav\u00e9s de s\u00edtios na world wide web. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00eddia escrita, pode-se observar que os autores dos textos em revistas e jornais s\u00e3o na sua grande maioria jornalistas ou free-lancers e, em pequena extens\u00e3o, por cientistas envolvidos diretamente nas pesquisas. Neste tipo de m\u00eddia podemos encontrar excelentes textos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em evolu\u00e7\u00e3o (Villareal, 2005; Wong, 2005; entre outros), assim como imensos absurdos onde os equ\u00edvocos e m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es transparecem (Pazza, 2005). Comentamos anteriormente que a forma\u00e7\u00e3o de bons professores \u00e9 crucial no ensino claro e adequado da evolu\u00e7\u00e3o. Certamente podemos esperar que um bi\u00f3logo seja formado com s\u00f3lidas bases sobre o pensamento evolutivo, uma vez que cursou pelo menos uma disciplina sobre o assunto. Mas e o que dizer de jornalistas? N\u00e3o se pode exigir infalibilidade, mas haver\u00e1 meios de minimizar as falhas? Uma das alternativas seria oferecer cursos de ci\u00eancias para os jornalistas. Outra seria que a comunidade cient\u00edfica estivesse mais engajada em divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de qualidade. Transpor a barreira entre o mundo acad\u00eamico e o popular com certeza n\u00e3o \u00e9 uma tarefa das mais simples, e n\u00e3o ser\u00e1 bem desempenhada por todos os profissionais. No entanto, textos publicados, mesmo que por jornalistas, onde equ\u00edvocos s\u00e3o enaltecidos, servem como mat\u00e9ria prima para que os manipuladores de opini\u00e3o p\u00fablica fixem suas id\u00e9ias falaciosas (Pazza, 2005).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de empresas de informa\u00e7\u00e3o, que seguem pol\u00edticas editoriais mais ou menos rigorosas, s\u00edtios independentes na internet aceitam qualquer texto, havendo menor (ou inexistente) crivo na an\u00e1lise. O mais agravante \u00e9 o ritmo acelerado com o qual os estudantes est\u00e3o trocando livros por s\u00edtios na internet, onde uma pesquisa pode ser elaborada na base de alguns cliques e o famoso \u201ccopy&amp;paste\u201d (copiar e colar). Al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o para o conhecimento do aluno ser question\u00e1vel nesta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 meios de impedir que os grandes sistemas de busca utilizados, como o Google, retornem quantidade consider\u00e1vel de s\u00edtios com pouca ou nenhuma qualidade educacional na \u00e1rea. \u00c9 muito f\u00e1cil, por exemplo, encontrar s\u00edtios anti-evolucionistas com textos assinados por doutores formados por grandes universidades brasileiras, que embora criem espantalhos, s\u00e3o altamente atraentes para pessoas pouco informadas, disseminando, assim, conceitos err\u00f4neos e falaciosos (de Paula, 1999).<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, evidentemente, s\u00edtios que cont\u00e9m informa\u00e7\u00f5es coerentes. De um aspecto pr\u00e1tico, a Internet tem se mostrado uma ferramenta de f\u00e1cil utiliza\u00e7\u00e3o e de grande acesso, e este motivo deveria incentivar os educadores e divulgadores de ci\u00eancia a utiliz\u00e1-la para a constru\u00e7\u00e3o de bases de dados confi\u00e1veis para os professores e alunos. O empenho da comunidade acad\u00eamica na tentativa de explicar e simplificar os dados cient\u00edficos pode ser um fator decisivo no incremento da qualidade da informa\u00e7\u00e3o fornecida pela rede.<\/p>\n<p>Assim, o educador precisa estar muito atento para conseguir direcionar o aluno a bons materiais sobre o assunto, e deve estar bem preparado para reconhecer os deslizes e embustes amplamente difundidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O ensino e aprendizagem de evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente para a comunidade acad\u00eamica mundial nas ultimas d\u00e9cadas. Alters e Nelson (2002) citam alguns eventos representativos deste crescimento como a convoca\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia de Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Evolu\u00e7\u00e3o, o estabelecimento de um comit\u00ea educacional na Sociedade para o Estudo da Evolu\u00e7\u00e3o, entre outros. No entanto, tais atos s\u00e3o exclusivos da academia cient\u00edfica norte-americana, talvez pela crescente problem\u00e1tica envolvendo o ensino de evolu\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds. O Brasil ainda n\u00e3o possui uma sociedade cient\u00edfica de estudos evolutivos, tampouco um comit\u00ea dentro de outra sociedade cient\u00edfica qualquer que esteja engajado no estudo das quest\u00f5es relacionadas com o ensino de evolu\u00e7\u00e3o. Por sua vez, os movimentos criacionistas, embora ainda inexpressivos, est\u00e3o cada vez mais presentes nas universidades brasileiras, e tendem \u00e0 uma organiza\u00e7\u00e3o, por espelharem-se no modelo norte-americano.<\/p>\n<p>Embora a biologia evolutiva seja um eixo norteador, juntamente com a ecologia, como sugerem os Par\u00e2metros Nacionais do Ensino M\u00e9dio, a dificuldade encontrada pelos professores no ensino desta ci\u00eancia \u00e9 maior do que o esperado. No entanto, os professores s\u00e3o determinadores da qualidade de uma disciplina, sendo necess\u00e1rio que professores de biologia tenham um conhecimento adequado da teoria evolutiva e seu papel fundamental na biologia. Este tipo de conhecimento nem sempre \u00e9 obtido apenas em aulas de evolu\u00e7\u00e3o no ensino superior. Textos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tamb\u00e9m fornecem um suporte importante para a forma\u00e7\u00e3o do profissional em educa\u00e7\u00e3o. Rutledge e Mitchell (2002) sugerem ainda que os professores precisam estar conscientes de como o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 produzido. Em seus estudos, estes autores observaram ainda, que o n\u00edvel de conhecimento do professor acerca da biologia evolutiva, atrav\u00e9s de mapas de conceitos, estava intimamente relacionado com sua aceita\u00e7\u00e3o da teoria evolutiva. \u00c9 poss\u00edvel que a dificuldade de aprendizagem dos alunos, portanto, n\u00e3o esteja somente no grau de dificuldade de compreens\u00e3o dos processos evolutivos, mas na relut\u00e2ncia em aceitar a teoria evolutiva como uma teoria cient\u00edfica v\u00e1lida para explicar os fen\u00f4menos naturais e nossa biodiversidade, por exemplo. Em muitos casos, a palavra \u201cteoria\u201d \u00e9 utilizada pelos anti-evolucionistas como uma forma de minimizar o efeito da compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, atribuindo \u00e0 palavra \u201cteoria\u201d um significado pejorativo e graus de hierarquia inexistentes na filosofia da ci\u00eancia para o que \u00e9 uma teoria ou um fato cient\u00edfico. Aos ouvidos leigos, a explica\u00e7\u00e3o soa razo\u00e1vel: \u201ca evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma teoria\u201d. Assim, n\u00e3o h\u00e1 motivos para dar mais cr\u00e9dito a ela. Por isso, se faz necess\u00e1rio que aulas de ci\u00eancias no ensino m\u00e9dio, especialmente, sejam iniciadas com a explica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo cient\u00edfico, formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses, testes de hip\u00f3teses e falseabilidade da teoria cient\u00edfica, al\u00e9m da equival\u00eancia de termos como teoria e lei. Talvez ainda fosse interessante se pensar em uma disciplina de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, onde os alunos teriam um contato maior com a filosofia da ci\u00eancia e como o conhecimento cient\u00edfico \u00e9 produzido.<\/p>\n<p>Um outro ponto importante para que o professor consiga ensinar evolu\u00e7\u00e3o de maneira eficiente, \u00e9 demonstrar para o aluno que a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 mais do que uma teoria que explica a biodiversidade e que seus efeitos s\u00e3o observados na agricultura, sa\u00fade e sociedade (Futuyma, 2002). A imensa preocupa\u00e7\u00e3o atual de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade tamb\u00e9m tem como pano de fundo o estudo evolutivo. Avise (2003) espera que num futuro onde os humanos busquem o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a biologia evolutiva, gen\u00e9tica e ecologia possam apontar para uma nova \u00e9tica ambiental.<\/p>\n<p>Acima de tudo, observamos perplexos \u2013 e felizmente \u00e0 dist\u00e2ncia \u2013 o que a intoler\u00e2ncia religiosa \u00e9 capaz de fazer. Tendo em vista nossa diversidade cultural, a intoler\u00e2ncia religiosa deve ser fortemente combatida. Desta forma, os educadores em evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem travar embates contra a op\u00e7\u00e3o religiosa de seus alunos, mas sim, buscar uma maior aceita\u00e7\u00e3o da teoria evolutiva como forma de explicar a hist\u00f3ria natural dos organismos vivos \u00e0 luz do processo cient\u00edfico. Um dos maiores evolucionistas da hist\u00f3ria escreveu certa vez: \u201cEu sou criacionista e evolucionista. A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo no qual Deus, ou a natureza, cria\u201d (Dobzhansky, 1973).\u00a0 Aceitar a teoria evolutiva \u00e9 o primeiro passo para compreender seu papel na hist\u00f3ria natural dos organismos vivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Alters, B. J.; Nelson, C. E. Perspective: Teaching evolution in higher education. Evolution 56:1891-1901. 2002.<\/p>\n<p>Avise, J. C. The best and the worst of times for evolutionary biology. Bioscience 53(3): 247-255. 2003.<\/p>\n<p>Bizzo, N. M. V. Falhas no ensino de ci\u00eancias. Ci\u00eancia Hoje 159: 26-31. 2000.<\/p>\n<p>Darwin, C. R. On the origin of species by means of natural selection. London, Murray.<\/p>\n<p>Dawkins, R. A escalada do monte improv\u00e1vel \u2013 uma defesa da teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Companhia das Letras, 1998.<\/p>\n<p>Dawkins, R. O gene ego\u00edsta. Ed. Itatiaia \u2013 col. O Homem e A Ci\u00eancia, 2001a.<\/p>\n<p>Dawkins, R. O relojoeiro cego \u2013 a teoria da evolu\u00e7\u00e3o contra o des\u00edgnio divino. Companhia das Letras, 2001b.<\/p>\n<p>Dobzhansky, T. Nothing in biology makes sense except in the light of evolution.\u00a0 American Biology Teacher 35: 125-129, 1973.<\/p>\n<p>Futuyma, D. J. Evolutionary biology. 2nd. ed., Sinauer Associates, 1986.<\/p>\n<p>Futuyma, D. J. (ed.). Evolu\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e sociedade. Sociedade Brasileira de Gen\u00e9tica, 2002.<\/p>\n<p>Gould, S. J. Darwin e os grandes enigmas da vida. Ed. Martins Fontes, 1999.<\/p>\n<p>de Paula, M. O. Muta\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o natural: fatores evolutivos? Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/origins.swau.edu\/papers\/evol\/marcia3\/defaultp.html&gt;. Acesso em 2003.<\/p>\n<p>Pazza, R. Aproveitadores de deslizes no jornalismo cient\u00edfico. Jornal da Ci\u00eancia e-mail, SBPC, 10 de maio de 2005.}<\/p>\n<p>Pazza, R.; Penteado, P.R.; Kavalco, K.F. Misconceptions About Evolution in Brazilian Freshmen Students.Evolution, Education and Outreach 3: 107-113.<\/p>\n<p>PCN Ensino M\u00e9dio. Par\u00e2metros Curriculares Nacionais do Ensino M\u00e9dio Parte III \u2013 ci\u00eancias da natureza, matem\u00e1tica e suas tecnologias. Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dia e Tecnol\u00f3gica, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Bras\u00edlia, 144p, 2002.<\/p>\n<p>Rutledge, M. L.; Mitchell, M. A. Knowledge structure, acceptance and teaching of evolution. The American Biology Teacher 64(1): 21-28, 2002.<\/p>\n<p>Stearns, S. C.; Hoekstra, R. F. Evolution \u2013 an introduction. Oxford University Press, London, 2000.<\/p>\n<p>Tidon, R.; Lewontin, R. C. Teaching evolutionary biology. Genetics and Molecular Biology 27(1): 124-131, 2004.<\/p>\n<p>Villareal, L. P. Amea\u00e7a fantasma. Scientific American Brasil (32): 60-65, 2005.<\/p>\n<p>Wong, K. O menor dos humanos. Scientific American Brasil (34): 50-59, 2005.<\/p>\n<p>Zimmer, C. \u00c0 beira d\u2019\u00e1gua \u2013 macroevolu\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o da vida. Jorge Zahar editor, 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevemos este artigo para uma revista de Educa\u00e7\u00e3o brasileira, como um prel\u00fadio para a publica\u00e7\u00e3o de nossas pesquisas sobre a aceita\u00e7\u00e3o e o conhecimento&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=133"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":139,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/133\/revisions\/139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/darwin.crp.ufv.br\/dnacetico\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}