Efeitos da linhaça na saúde – matéria do G1

Já que estou há muito tempo sem publicar nada aqui, recomeço devagar, com uma análise rápida de uma notícia que saiu no site G1, com a manchete: “Pesquisa paranaense comprova benefícios da linhaça para a saúde“. Como sou paranaense, fiquei interessado.

Estudos médicos ou de saúde em geral que normalmente saem nos noticiários têm uma probabilidade imensa de serem baseados em correlações espúrias e não com causa e efeito. Por isso fui ler a notícia.

A notícia não é assinada por nenhum jornalista e não parece ser baseada em releases de publicação, pois não fala nada sobre isso. Pelo menos informa o nome da pesquisadora, Paloma Dias, da PUC/PR, que desenvolve uma pesquisa com três grupos, sendo que “o primeiro segue uma dieta de acordo com o peso e as características de cada pessoa. O segundo, além de fazer a dieta, passou a incluir a linhaça no cardápio. Já o terceiro grupo, come a linhaça, mas sem entrar na dieta”.

A conclusão da pesquisadora: “Já dá pra perceber que o grupo que recebe a linhaça e faz a alimentação conforme o cardápio teve uma melhora mais significativa na redução do colesterol. Porém, algumas pessoas que consumiram apenas a linhaça, também reduziram. E outras pessoas, do primeiro grupo, só com o cardápio, também reduziram”.

Espera aí!

1 – Pelo “já dá pra perceber”, percebemos (dã) que os dados são preliminares.

2 –  Melhora “mais significativa”? O que é isso? Ou determinado grupo apresenta melhora significativa ou não apresenta melhora significativa.

3 – Os outros grupos tiveram pessoas que também apresentaram redução do colesterol. Então, conclui-se que… Linhaça faz bem pra saúde?

Às vezes nos empolgamos com resultados preliminares, mas aí não é o momento para sair espalhando (eu penso assim). Seria interessante que a notícia informasse quantas pessoas fazem parte de cada grupo, grau de parentesco entre elas, qual era o hábito alimentar antes da dieta, etc. Isso sem contar inúmeras informações que estas pesquisas de correlação sobre saúde não levam em conta, mas que agora não vêm ao caso.

E segue a notícia com a evidência de casos isolados, que se encaixam na falácia chamada evidência anedota. Até porque, assim como existe esse caso da fulana que está se sentindo bem, certamente há caso em que a pessoa não está notando nada de diferente. Sem falar no efeito psicológico, tendo em vista que o estudo não é duplo-cego. Aliás, estas pesquisas na área de saúde alimentar carecem muito disso, de tentar retirar o efeito psicológico da pessoa que acaba se cuidando mais por estar no grupo que espera-se que tenha bons resultados.

Para finalizar, um problema clássico: “abdômen”. Esta forma de escrever está na lista junto com rótula, omoplata, trompa de Falópio, perônio, e várias outras partes anatômicas que mudaram o nome há muito tempo. Muito tempo, mesmo! Que tal uma atualização? O correto é “abdôme”.

 

 

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